Ex-chefe de campanha de Trump é acusado de conspiração e se entrega ao FBI

Paul Manafort e ex-sócio foram indiciados 12 vezes em investigação sobre laços da campanha com russos, mas crimes apontados desta vez pelos procuradores não envolvem atividades de campanha em si. Trump reagiu ressaltando que acusações datam de anos antes da eleição.

Paul Manafort, ex-chefe da campanha presidencial de Donald Trump, se entregou a autoridades federais americanas nesta segunda-feira (30). Ele e seu ex-sócio Rick Gates, que também se entregou, foram indiciados por 12 acusações, incluindo conspiração contra os Estados Unidos, lavagem de dinheiro e falso testemunho, na investigação sobre os laços da campanha do atual presidente dos Estados Unidos com russos.

No Twitter, Trump se manifestou dizendo que as acusações datam de anos antes da campanha.

Segundo informa “The New York Times”, as acusações contra Manafort e Gates não mencionam Trump ou a corrida eleitoral, mas descrevem em detalhes o trabalho de lobby de Manafort na Ucrânia. Também detalham o que os promotores dizem ser um esquema para esconder do fisco americano o dinheiro ganho com essa atividade. As autoridades afirmam que Manafort lavou mais de US$ 18 milhões no exterior.

“Manafort usou sua riqueza oculta no exterior para desfrutar de um estilo de vida luxuoso nos Estados Unidos sem pagar impostos sobre essa renda”, diz a acusação. Gates é acusado de transferir mais de US$ 3 milhões de contas externas.

O chefe da campanha presidencial de Trump, Paul Manafort (esquerda), deixa sua casa para se entregar ao FBI (Foto: Andrew Harnik/AP)
O chefe da campanha presidencial de Trump, Paul Manafort (esquerda), deixa sua casa para se entregar ao FBI (Foto: Andrew Harnik/AP)
 O chefe da campanha presidencial de Trump, Paul Manafort (esquerda), deixa sua casa para se entregar ao FBI (Foto: Andrew Harnik/AP)
O chefe da campanha presidencial de Trump, Paul Manafort (esquerda), deixa sua casa para se entregar ao FBI (Foto: Andrew Harnik/AP)
 

As outras acusações são por não se registrar como agente de um país estrangeiro nos EUA, por falso testemunho sobre seu papel como agente estrangeiro e falha na apresentação de relatórios de contas bancárias e financeiras estrangeiras (pela qual foram acusados sete vezes).

Manafort mantém diversas relações comerciais com parceiros russos e participou de reuniões com empresários do país durante e depois da eleição. Ele também trabalhou para o ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovych.

Ele renunciou ao posto de chefe da campanha em agosto de 2016, antes da eleição de Trump, suspeito de receber milhões de dólares na Ucrânia.

O nome de Gates aparece em documentos ligados a empresas de Manafort abertas no Chipre para receber pagamentos de políticos e empresários da Europa Oriental, segundo o “New York Times”.

Rick Gates, ex-sócio de Manafort que também trabalhou na campanha de Trump, em foto de 21 de julho de 2016 (Foto: Evan Vucci/AP)
Rick Gates, ex-sócio de Manafort que também trabalhou na campanha de Trump, em foto de 21 de julho de 2016 (Foto: Evan Vucci/AP)
Também nesta segunda (30), George Papadopoulos, um assessor da campanha eleitoral de Donald Trump, se declarou culpado de mentir sobre suas relações com a Rússia, anunciou o procurador especial que investiga a alegada interferência russa nas eleições presidenciais americandas.
 
“Através de suas falsas declarações e omissões, o acusado Papadopoulos impediu a investigação em curso do FBI sobre a existência de vínculos ou coordenação entre indivíduos associados com a campanha e os esforços do governo russo para interferir nas eleições presidenciais de 2016”, diz a acusação assinada pelo procurador especial, Robert Mueller.

Trump reage

O presidente americano usou sua conta no Twitter para se manifestar sobre o caso de Manafort. Em duas mensagens, ele ressaltou que as acusações contra o ex-chefe de campanha datam de anos anteriores à corrida presidencial e reclamou, mais uma vez de irregularidades da campanha de Hillary Clinton.
 
“Me desculpe, mas isso foi anos atrás, antes de Paul Manafort ser parte da campanha Trump. Mas por que Hillary e os Democratas não são o foco [das investigações]?”, escreveu. “… Além disso, não há conclusão.”
 
No domingo, Trump, havia voltado a tachar a investigação de “caça às bruxas” e pediu que “algo seja feito” contra as irregularidades que, segundo ele, sua rival Hillary Clinton cometeu nas eleições de 2016.
 
Em uma série de mensagens no Twitter, Trump tentou desviar a atenção para as ações de Hillary e dos democratas.
 
“Toda essa história de ‘Rússia’ justo quando republicanos estão fazendo uma histórica reforma de corte de impostos. É uma coincidência? NÃO!”, escreveu o presidente americano.
 

Campanha sob suspeita

As acusações contra dois importantes membros da campanha de Trump apontam para uma nova fase da investigação e lançam uma sombra sobre Trump.

A CNN divulgou na sexta (27) que o júri federal em Washington tinha aprovado as primeiras acusações na investigação, que é liderada pelo procurador especial Robert Mueller.

Nomeado pelo Departamento de Justiça dos EUA para liderar a investigação, Mueller assumiu o cargo em maio, por indicação do vice-procurador-geral Rod Rosenstein, após Trump demitir o então diretor do FBI, James Comey.

Mueller também é ex-diretor do FBI. Ele entrou para a Polícia Federal americana em 2001, no governo de George W. Bush, e permaneceu no cargo a