Entrevista com o ex-governador Reinaldo Azambuja no Jornal da Top

A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quarta-feira (16), o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato a senador da República, que aposta na experiência acumulada no Executivo e na bandeira municipalista para defender sua chegada ao Congresso Nacional.

Ele afirmou que pretende concentrar um eventual mandato em reformas estruturantes e em pautas diretamente ligadas ao desenvolvimento do Estado. “O Senado vai ser a casa mais importante na próxima legislatura”, afirmou.

Azambuja ao tratar do papel que a Casa deverá exercer nos próximos anos. Na avaliação do candidato, temas como reforma administrativa, sistema tributário, equilíbrio das contas públicas e divisão dos recursos entre União, estados e municípios estarão entre as discussões centrais do próximo Congresso.

O candidato defendeu uma estrutura federal menos concentradora e afirmou que pretende levar ao Senado o modelo municipalista que adotou quando governou Mato Grosso do Sul, entre 2015 e 2022. “A proposta é ampliar a participação dos municípios na definição de prioridades e na distribuição de recursos federais”, falou.

Durante a entrevista, o ex-governador lembrou o programa Governo Presente, realizado em sua administração, no qual prefeitos e lideranças municipais apresentavam demandas diretamente ao Governo do Estado. “Pretendo reproduzir essa lógica em Brasília por meio das emendas parlamentares e da articulação por recursos federais. Como fui um governador municipalista, quero ser um senador municipalista”, declarou.

Entre as prioridades citadas por Azambuja está a saúde. O candidato defendeu a atualização da Tabela SUS, usada como referência para a remuneração de procedimentos realizados por hospitais públicos e filantrópicos. Para ele, a defasagem dos valores contribui para as dificuldades financeiras enfrentadas por instituições como as Santas Casas.

Azambuja também afirmou que pretende trabalhar pela retomada e ampliação do transporte ferroviário em Mato Grosso do Sul. Entre os projetos mencionados estão ligações envolvendo Três Lagoas, Aparecida do Taboado, Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã. A estratégia, segundo ele, seria reduzir a dependência do transporte rodoviário e melhorar a competitividade da produção estadual.

A Malha Oeste aparece como uma das principais bandeiras do candidato na área de infraestrutura. Azambuja também tem defendido a integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias e cita projetos como a hidrovia do Rio Paraná, intervenções na BR-262 e a conclusão da fábrica de fertilizantes UFN3, em Três Lagoas.

Segurança na fronteira

Outro ponto destacado por Azambuja é a segurança pública. O ex-governador cobra maior participação financeira e operacional da União no combate ao tráfico de drogas e às organizações criminosas na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia.

Segundo o candidato, o Estado acaba absorvendo parte significativa dos custos gerados pelos crimes de competência ou interesse federal, principalmente no sistema prisional. “Mato Grosso do Sul gasta cerca de R$ 280 milhões com o sistema carcerário e relacionou grande parte dessa despesa aos presos envolvidos com o tráfico de drogas”, revelou.

Para ele, o governo federal deveria ampliar os investimentos em inteligência, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, além de participar do custeio relacionado ao encarceramento decorrente do tráfico nas fronteiras.

Questionado sobre a utilização das emendas parlamentares, Azambuja defendeu a manutenção do instrumento, mas afirmou que os recursos públicos precisam ser acompanhados desde a destinação até a aplicação final.
“Todo dinheiro público tem que ser fiscalizado. Ele é de todos”, declarou.

O candidato disse que, se eleito, pretende direcionar recursos principalmente para saúde, educação, infraestrutura, programas sociais e segurança pública. Também defendeu que prefeituras e entidades sejam ouvidas antes da definição das prioridades.

Azambuja argumentou ainda que as emendas permitem que recursos federais cheguem a pequenos municípios e instituições que enfrentam dificuldades para acessar diretamente o Orçamento da União.

Mudança para o PL

Na entrevista, o ex-governador também falou sobre a saída do PSDB, partido ao qual esteve ligado por cerca de três décadas, e a filiação ao PL. Segundo ele, o convite para ingressar na legenda partiu do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda em 2024, mas a mudança só avançou posteriormente.

Azambuja afirmou que sempre esteve politicamente no campo da centro-direita e disse que sua tarefa no PL foi ampliar o diálogo e reunir diferentes lideranças em torno da legenda. Ele citou a chegada de nomes como Capitão Contar e a aproximação com antigos adversários políticos.

O ex-governador também reafirmou o apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP), seu sucessor no comando do Estado. Ao falar sobre uma eventual atuação conjunta da bancada federal e do Governo do Estado, Azambuja disse que pretende utilizar o mandato para articular investimentos e recursos para projetos considerados estratégicos para Mato Grosso do Sul.

Sobre o futuro político além da eleição deste ano, evitou antecipar eventual candidatura ao Governo em 2030 e afirmou que, se eleito, pretende cumprir o mandato de oito anos no Senado. Também se declarou favorável ao fim da reeleição para cargos do Executivo e à adoção de mandatos de cinco anos sem possibilidade de recondução consecutiva.

Ao resumir o que considera que deverá ser cobrado pelo eleitor ao final de um eventual mandato, Azambuja citou a destinação e fiscalização das emendas, investimentos em ferrovias e hidrovias, apoio aos hospitais filantrópicos e ações voltadas ao desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul.

FonteTop FM

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