Entenda por que Yamal ainda sustenta o hype de fenômeno apesar das críticas na Copa

Por Gustavo Garcia — Rio de Janeiro

Lamine Yamal ainda não teve a Copa do Mundo de destaque que muitos imaginavam. Em cinco partidas pela Espanha, marcou apenas um gol, recebeu críticas de parte dos torcedores e de comentaristas e ainda busca uma atuação de grande impacto em um mata-mata. Mesmo assim, segue cercado pelo mesmo status que o colocou entre os principais personagens do futebol mundial antes do torneio: o de grande joia.

Lamine Yamal comemora classificação da Espanha na Copa do Mundo — Foto: Sarah Stier/Getty Images

Lamine Yamal comemora classificação da Espanha na Copa do Mundo — Foto: Sarah Stier/Getty Images

O reconhecimento de Yamal, porém, ajuda a explicar o tamanho do fenômeno. Aos 18 anos, Yamal chegou à Copa como o jogador mais valioso do planeta, segundo levantamento do CIES Football Observatory. O estudo estimou seu valor de mercado em 358,1 milhões de euros (cerca de R$ 2,08 bilhões na cotação da época), à frente de Haaland e Mbappé.

Jornal espanhol destaca Yamal como "melhor do jogo" — Foto: Reprodução Marca

Jornal espanhol destaca Yamal como “melhor do jogo” — Foto: Reprodução Marca

A Copa, no entanto, começou com um desafio extra. Poucos dias antes da estreia, o atacante ainda se recuperava de uma lesão muscular sofrida na reta final da temporada pelo Barcelona e fazia um trabalho específico para ficar à disposição da seleção espanhola. Desde então, vem recuperando gradualmente o ritmo de jogo.

Mesmo sem brilhar na Copa, Yamal chega às semifinais embalado por uma sequência rara para um jogador da sua idade. Na última temporada, foi um dos protagonistas do Barcelona campeão de LaLiga e da Supercopa da Espanha. Em 2025, tornou-se o primeiro jogador da história a conquistar o Troféu Kopa em duas oportunidades consecutivas, prêmio entregue ao melhor jogador sub-21 do mundo. Na eleição da Bola de Ouro, terminou como segundo colocado.

Yamal encara a marcação de dois em Espanha x Bélgica — Foto: REUTERS/Carlos Barria

Yamal encara a marcação de dois em Espanha x Bélgica — Foto: REUTERS/Carlos Barria

Pela seleção, também construiu rapidamente um currículo de peso. Foi campeão da Eurocopa de 2024 com 17 anos e 1 dia e da Liga das Nações de 2025, além de acumular recordes de precocidade desde a estreia pela equipe principal.

Durante a própria Euro, enquanto ajudava a Espanha na campanha do título, ainda conciliava treinos, viagens e jogos com as provas da Educação Secundária Obrigatória (ESO), equivalente ao ensino médio. Assistia às aulas de forma remota durante a concentração e foi aprovado antes mesmo da final do torneio.

Luis Castro Luna, jornalista da Rádio Nacional da Espanha e setorista da seleção, acredita que esse episódio ajuda a explicar o amadurecimento do atacante.

– Yamal é um garoto feliz, brincalhão e muito confiante em si mesmo. No fim das contas, continua sendo um jovem de 18 anos que gosta de viver a vida e jogar futebol. Em plena Eurocopa de 2024, ele precisava estudar para concluir a ESO. Já era uma estrela, mas encontrou tempo, em plena concentração, para se dedicar às provas e ser aprovado. Isso diz muito sobre sua capacidade de esforço e responsabilidade. Qualquer outro, sabendo que já estava na elite, provavelmente teria deixado os estudos em segundo plano.

Lamine Yamal, da Espanha, em vitória sobre a Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo — Foto: Gary Vasquez/Imagn Images via Reuters

Lamine Yamal, da Espanha, em vitória sobre a Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo — Foto: Gary Vasquez/Imagn Images via Reuters

– Foi desde que começou a jogar pela seleção espanhola com apenas 16 anos e passou a bater todos os recordes de precocidade: estreia, gols, partidas… Ali ficou claro que não era apenas mais um talento.

As comparações com Messi também surgiram cedo. Em 2007, quando tinha apenas cinco meses de vida, Yamal participou de um ensaio fotográfico beneficente do Barcelona e acabou sendo “banhado” pelo então jovem atacante argentino. Anos depois, assumiu a camisa 10 do clube catalão e passou a ser apontado como um dos herdeiros simbólicos de Messi. Para Luis Castro Luna, os números reforçam esse paralelo, embora o maior desafio ainda esteja por vir.

FonteGE

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