Trump encerra campanha para eleições legislativas em Washington e diz que pleito será ‘o mais importante em nossas vidas’

Inusitadamente, o republicano dedicou os primeiros 26 minutos do discurso ao projeto de renovação do local e às realizações da administração na capital — embora seus residentes não tenham representação com direito a voto no Congresso. Durante a fala, brincou que daria seu próprio nome ao famoso espelho d’água, recentemente restaurado. A reforma, orçada em cerca de US$ 15 milhões (R$ 81 milhões), enfrentou repetidos e constrangedores contratempos que Trump atribuiu, sem provas, a sabotadores.

Em seguida, o presidente americano afirmou que os candidatos democratas estão “todos comprometidos com a mesma agenda radical: fronteiras abertas, aumento de impostos em trilhões de dólares, confisco de armas, mutilação genital feminina, proibição do petróleo e do gás natural, aumento vertiginoso dos custos de energia e abertura das comportas para milhões de imigrantes de todo o mundo, na esperança de que eles possam votar”.

— Estes são os candidatos mais perigosos que já surgiram. Nunca houve nada parecido com o que estamos vendo: jihadistas e membros da Irmandade Muçulmana — disse ele, alegando sem provas que Abdul el-Sayed, o candidato democrata ao Senado dos EUA pelo Michigan, é membro do grupo islâmico.

As pesquisas mostram que os democratas estão prestes a conquistar a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados brasileira) e perto de alcançar o Senado na votação desta terça-feira — uma mudança que imporia as primeiras restrições políticas reais ao presidente — que tem enfrentado índices de aprovação em queda livre — desde que ele assumiu o cargo, há quase dois anos.

Indulto a aliados

 

Trump “previu” a vitória dos republicanos nas eleições, mas reconheceu que poderá enfrentar uma nova realidade em uma entrevista divulgada nesta segunda-feira pelo podcast Pod Force One, do New York Post. O presidente afirmou que exerceria seu poder de veto sobre iniciativas que não lhe agradassem:

— Acho que vamos nos sair muito bem, mas se não ganharmos, veto tudo. Vou vetar sem parar. E aí eles vão aparecer e provavelmente faremos alguns acordos pelo caminho.

Trump também disse que, após as eleições, concederá um grande número de indultos a seus aliados. Perguntando se perdoaria “todos que trabalharam” para ele, o republicano disse que “não pensaria duas vezes”:

— Eu fiz isso com os de 6 de janeiro — acrescentou Trump, referindo-se aos quase 1.500 indultos que concedeu, no primeiro dia de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, àqueles condenados ou acusados ​​pela tomada do Capitólio em 2021.

Conquistar apenas a Câmara dos Representantes daria aos democratas poder de voto sobre o orçamento federal e controle de comissões capazes de investigar a alegada corrupção durante o governo Trump, os arquivos de Epstein e outras questões explosivas. Um Senado democrata também poderia bloquear as nomeações vitalícias de Trump para os tribunais, incluindo a Suprema Corte — atualmente de maioria conservadora.

Embora a Câmara dos Representantes pareça estar caminhando para a maioria democrata, a disputa pelo Senado está muito mais acirrada. Os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras para assumir o controle. Para vencer, os democratas precisam conquistar cadeiras em estados que Trump venceu por uma margem de dois dígitos há dois anos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui