Trump demite diretor que reiterou que eleições nos EUA foram seguras

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu nesta terça-feira (17) o diretor da Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura, Chris Krebs. Ele liderava o comitê ligado ao governo americano que atestou que as eleições presidenciais de novembro ocorreram sem problemas (leia mais no fim da reportagem).

“A recente declaração de Chris Krebs sobre segurança nas eleições de 2020 foi altamente imprecisa, porque houve irregularidades massivas e fraude”, afirmou Trump nas redes sociais.

 

Em publicação no Twitter, Trump insistiu que houve uma série de irregularidades como votos de pessoas mortas, restrições de entrada a fiscais em locais de votação. Nenhuma dessas denúncias, porém, foi provada, e a rede social marcou a postagem.

O republicano tem se recusado a reconhecer o democrata Joe Biden como vencedor das eleições presidenciais americanas. Trump e seus advogados entraram na Justiça em diversos estados para reverter os resultados antes da certificação oficial e da votação dos delegados do Colégio Eleitoral.

Como de praxe, Biden foi declarado presidente eleito antes mesmo da votação no Colégio Eleitoral depois que institutos como a Associated Press, com base na apuração, projetaram vitória do democrata com ao menos 290 votos no Colégio Eleitoral, 20 a mais do que o necessário.

Essa projeção existe há muitas décadas nos Estados Unidos, e o próprio Trump se declarou vitorioso em 2016 com base nesses institutos.

‘Mais segura da história’

A eleição presidencial dos Estados Unidos de 2020 foi “a mais segura da história americana”, segundo um comunicado oficial divulgado nesta quinta-feira (12) por altos funcionários da Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura. O órgão é ligado ao Departamento de Segurança Interna, que integra o próprio governo dos EUA.

“A eleição de 3 de novembro foi a mais segura na história americana. Neste momento, por todo o país, autoridades eleitorais estão revisando e verificando todo o processo das eleições antes de finalizar o resultado”, diz o comunicado.

 

Ainda de acordo com o documento, “não há evidências de que qualquer sistema de votação excluiu ou perdeu votos, alterou votos ou foi de alguma forma comprometido”, contrariando o que diz Trump.

“Embora saibamos que há muitas reclamações infundadas e oportunidades de desinformação sobre o processo de nossas eleições, podemos garantir que temos a maior confiança na segurança e integridade de nossas eleições, e você também deve ter”, acrescentaram os funcionários em sua declaração.

“Quando você tiver dúvidas, recorra aos funcionários eleitorais como vozes confiáveis ao administrar as eleições”, escreveram.

 

Apuração em Lawrenceville, na Geórgia — Foto: AFP

Apuração em Lawrenceville, na Geórgia — Foto: AFP

Os funcionários que assinam o comunicado formam o Conselho de Coordenação Governamental de Infraestrutura Eleitoral, um grupo de administradores eleitorais e agências federais responsáveis por supervisionar a segurança eleitoral nos Estados Unidos.

Na semana passada, antes mesmo de as projeções darem vitória a Biden, a Organização dos Estados Americanos (OEA) — que monitora processos eleitorais em todo o continente — já havia afirmado que a eleição americana ocorreu sem maiores irregularidades.