Sem vacina, Djokovic é deportado e deixa Austrália

Deportado por não justificar a ausência de vacinação contra a Covid-19, o sérvio Novak Djokovic deixou a Austrália neste domingo (16), com um voo direto de Melbourne para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

O tenista número 1 do mundo tinha esperanças de iniciar 2022 como o maior vencedor de Grand Slams na história, recorde que hoje compartilha com Rafael Nadal e Roger Federer, mas acabou expulso com um carimbo de antivax e impedido de disputar o Aberto da Austrália, justamente o torneio que lhe deu mais títulos.

A derrota mais dolorida da carreira de Djokovic foi decretada pela Corte Federal australiana, que rejeitou um recurso para impedir a anulação de seu visto de entrada no país. Sem vacina contra a Covid, o sérvio não conseguiu comprovar um motivo médico que o dispensasse da imunização.

A sentença da Corte Federal também coloca fim a mais de 10 dias de batalha entre o tenista e o governo australiano, que incluiu dois períodos de detenção de um dos esportistas mais bem pagos do mundo em um hotel usado como prisão para migrantes e refugiados em Melbourne.

“A decisão do tribunal é de que o recurso seja rejeitado, com as despesas legais a cargo do tenista”, diz a sentença. Por meio de um comunicado, Djokovic disse estar “extremamente desapontado” com a decisão e que vai “tomar um pouco de tempo para descansar e se recuperar”.

“Espero que agora possamos nos concentrar no jogo e no torneio que amo. Gostaria de desejar aos jogadores, aos voluntários e aos torcedores o melhor para o torneio. Também gostaria de agradecer à minha família, aos meus amigos, à minha equipe, aos torcedores e aos meus companheiros sérvios por seu apoio”, concluiu o maior vencedor da história do Aberto da Austrália, com nove taças.

Já o primeiro-ministro australiano o conservador Scott Morrison, que tentará a reeleição neste ano, afirmou estar “satisfeito com a decisão”, que foi tomada por “motivos de saúde, segurança e ordem”.

“Os australianos fizeram muitos sacrifícios durante a pandemia e esperam justamente que os resultados desses sacrifícios sejam protegidos”, acrescentou.

O tenista teve seu visto de entrada recusado duas vezes, primeiro pelas autoridades do estado de Victoria e depois pelo ministro da Imigração da Austrália, Alex Hawke, mas em ambas a deportação foi levada para a Justiça.

O país exige de viajantes estrangeiros a comprovação de vacinação contra a Covid-19 ou um atestado médico que justifique a falta de imunização. Djokovic disse que pegou o novo coronavírus em dezembro, o que o dispensaria da exigência vacinal, porém suas próprias redes sociais mostram que ele não ficou em isolamento após a data do suposto teste positivo.

Sua postura antivax já é conhecida e lhe rendeu nas redes sociais o apelido de “Novax Djocovid”. “As fortes políticas de proteção das fronteiras da Austrália nos mantiveram seguros durante a pandemia, com uma das menores taxas de mortalidade, a recuperação econômica mais forte e uma taxa de vacinação elevada”, declarou Hawke neste domingo.

Sérvia

Após a sentença, Djokovic recebeu o apoio das principais autoridades políticas da Sérvia, a começar pelo presidente Aleksandar Vucic.