Atacante reencontra São Januário pela primeira vez: “Fui praticamente obrigado a sair. Foi muito difícil”. Ao Abre Aspas, camisa 10 fala de intolerância religiosa, alegria no Galo e posicionamento político
Por André Ribas, Laura Rezende, Maria Cláudia Bonutti e Pedro Spineli — Belo Horizonte
Com guias do Candomblé no pescoço, conduzido por seus Orixás, Oxóssi e Yemanjá, Paulinho tem um “script” diferente do tradicional jogador do futebol: procura se inteirar do mundo, política e não tem medo de se posicionar. O atacante do Atlético-MG retornou ao Brasil no ano passado depois de ser vendido pelo Vasco ao Bayer Leverkusen ainda muito jovem. Passou por momentos difíceis na Alemanha, se apegou a sua família, raízes, religião e ferramentas de cura.
“Meu pai costuma dizer que o samba cura.”
Logo no primeiro ano do futebol brasileiro, foi artilheiro do Brasileirão com 20 gols marcados em 2023. Agora, na véspera de duas semifinais pelo Galo, o camisa 10 falou do reencontro com o prazer de jogar futebol.
“Eu sou um cara muito feliz e realizado hoje no Galo, de estar vivendo esses momentos”.
Convivendo com uma lesão no osso da canela da perna direita, o atacante vem jogando com dores. Não entra em detalhes sobre a lesão, o tratamento e a recuperação. Os jogos estão sendo selecionados a dedo para que Paulinho esteja em campo.
— Não posso falar muito o que é. Eu estou fazendo de tudo para estar apto para os jogos, principalmente para os mais importantes, porque eu quero fazer parte desse momento e ajudar de alguma forma o Galo a conquistar os objetivos que buscamos.
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Paulinho em entrevista ao Abre Aspas do ge — Foto: Reprodução/ ge
— Minha família e eu seguimos muito os nossos princípios, nossa ideologia, temos a nossa maneira de pensar na questão política. Não é querendo puxar para o fanatismo, é querendo visar mais o que o nosso país precisa de acordo com o nosso olhar – Paulinho sobre posicionamento político.
“É algo que não tem mais cabimento no mundo de hoje, que eu tento de alguma forma usar a minha voz para poder lutar e combater esse preconceito com base nas informações, na troca de conhecimentos. A gente sabe que é difícil ainda, não só nas redes sociais, mas nos estádios também dá para escutar muitos gritos assim contra mim, até mesmo da torcida do Galo”.
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Paulinho comemora gol do Atlético-MG diante do Vasco — Foto: Pedro Souza / Atlético
Paulinho subiu para o profissional do Vasco ainda com 16 anos. No dia seguinte que completou 18 anos, estava embarcando para a Alemanha para defender o Bayer Leverkusen. Ao relembrar a trajetória, o atacante diz que não estava preparado emocionalmente para sair do Vasco.
— Eu não estava pronto ainda pra sair. (…) Emocionalmente, eu não estava preparado, ainda mais para um país com uma cultura totalmente diferente do que é o nosso país — declarou o jogador.
“Na época, o Vasco precisava muito da minha venda. Se for parar para pensar, era uma das únicas salvações que tinha na época financeiramente para o clube, e eu fui praticamente obrigado a sair. Foi muito difícil”.
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Vasco x Ponte Preta São Januário Paulinho gol — Foto: André Durão/GloboEsporte.com
“Vai ser um jogo com um misto de emoções quando eu pisar em São Januário, porque vai ser a primeira vez que eu vou pisar lá jogando contra o Vasco. Como eu falei, a gratidão é imensa pelo clube que me formou como atleta e como homem, mas, hoje, eu sei muito bem a camisa que eu estou vestindo, a camisa enorme que represento, que é a do Galo.





