O estilo Abel Ferreira: simplicidade, liderança e Bossa Nova

Em entrevista exclusiva à GQ Brasil, o técnico português Abel Ferreira, que em cinco meses liderou o Palmeiras na vitória da Libertadores e da Copa do Brasil, fala sobre o seu estilo de liderança e da relação com os atletas: “Digo aos jogadores: ‘Você joga pra c…’, mas também gosto de ouvir um Veiga, um Felipe Melo dizendo: ‘Tu treina pra c…’. Às vezes, queremos que os outros digam o que nós não dizemos”, conta.

Abel recebeu a equipe para as fotos de capa em sua ampla casa em Lousada, região rural de Portugal, próxima a Penafiel, onde nasceu há 42 anos. Ele esteve lá durante semanas de folga no meio de março.

Foi a primeira vez em 15 meses que o técnico dormiu em em casa: “É duro quando tua mulher te pergunta qual o valor em dinheiro de ver tuas filhas crescerem. É difícil explicar que existem duas paixões dentro de ti”, diz ele sobre a relação a distância com a família.

Abel Ferreira, capa da #GQAbril (Foto: Foto: DARYAN DORNELLES / Assistente de fotografia: ARMANDO BARÃO / Tratamento de imagem: RG IMAGEM)
Abel Ferreira, capa da #GQAbril (Foto: Foto: DARYAN DORNELLES / Assistente de fotografia: ARMANDO BARÃO / Tratamento de imagem: RG IMAGEM)

No Brasil, ele leva uma vida frugal em uma suíte sem luxos no centro de treinamento do Palmeiras. No seu primeiro dia como técnico do time, chamou todos os mais de 300 funcionários, entre atletas, faxineiros e pessoal da administração, para falar sobre a importância de cada um para a sua missão.

“Quando desembarquei no Brasil, avaliei que ganharia tudo morando no Centro de Treinamento do Palmeiras: conhecimento profundo do clube, além de ter companhia o tempo todo. Às vezes, por volta das 23h30, eu dou uma volta com os seguranças do clube, que fazem a ronda pelo CT, para relaxar um bocadinho, ver as estrelas quando há. Ou seja, não me ia faltar nada. Ter o quarto limpo e a cama feita todos os dias: o que mais poderia querer? Modéstia à parte, eu cozinho, mas não sou bom cozinheiro. Nos primeiros dias ficamos em um hotel, que seria pago pelo clube, mas disse que não seria preciso. Disse que eu e meus adjuntos passaríamos a viver no CT. As pessoas dizem que sou maluco. Maluco? De dois em dois dias estamos a competir. E outra, se eu chegar ao CT às duas da manhã, vou fazer o que em casa? Não vai ter ninguém lá.”

No pouco tempo livre, dedica-se a ouvir Bossa Nova e a estudar grandes ídolos: “Obama, Hamilton, Clooney… Adoro conhecer o que essas pessoas têm em comum. Vejo grande capacidade de determinação e foco. E uma dose de arrogância positiva.”

A edição já está disponível no Globo+ e chega às bancas a partir desta terça-feira (13).