Novo coronavirus: seis pessoas foram infectadas a cada minuto no Brasil desde fevereiro

O Brasil levou apenas 114 dias para ultrapassar a marca de 1 milhão de casos confirmados de Covid-19. De 26 de fevereiro, quando foi notificada a primeira infecção pelo novo coronavírus no país, até esta sexta-feira (19), foram registrados 1.038.568 diagnósticos positivos, de acordo com o levantamento feito com dados das secretarias estaduais de Saúde pelo consórcio de veículos de imprensa formado por EXTRA, O Globo, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo, atualizado às 20h. Isso significa que, em média, seis pessoas foram infectadas a cada minuto no país.

Até esta sexta-feira, foram registradas 49.090 mortes no Brasil. Em 24 horas, houve 55.209 novos diagnósticos e 1.221 óbitos registrados. Pelo quarto dia consecutivo, mais de 1.200 mortes foram registradas em 24h, o que nunca tinha acontecido desde o início da pandemia.

Segundo país do mundo onde a pandemia fez mais vítimas — atrás apenas dos Estados Unidos, que registrou 2,2 milhões de infectados e 119 mil mortes —, o Brasil ainda está longe de atingir a chamada imunidade de rebanho, que é quando a velocidade de propagação do vírus diminui porque a maior parte da população já foi contaminada. A pandemia apresenta diferentes estágios Brasil afora. Enquanto estados como Amazonas e Ceará já mostram uma desaceleração no avanço da Covid-19, e Rio de Janeiro e São Paulo uma estabilização, em outros a propagação da doença parece ganhar mais impulso agora.

O Brasil tem um surto em crescimento acelerado quando comparado com o dos Estados Unidos. Uma projeção bruta sugere que o país poderia ultrapassar o número de casos norte-americanos antes do fim deste ano e, assim, tornar-se a maior epidemia de novo coronavírus do mundo. Em número de casos por habitante, o Brasil é o terceiro colocado, atrás apenas dos EUA e da Espanha, que tem uma prevalência de cerca de 5% da população. Ainda que a situação seja melhor atualmente do que há um mês, o Brasil não consegue desempenho melhor do que o dos outros países.

— Se a epidemia fosse uma corrida de Fórmula 1, nós seríamos o carro mais rápido na pista — compara o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, que coordena uma pesquisa sobre o avanço da doença no país.

Seis vezes maior

A maior pesquisa no país para soroprevalência indica que 2,6% da população já tinham sido infectados pelo novo coronavírus naquele momento, seis vezes mais do que o registro oficial da época. Isso significa que, projetada esta proporção para agora, haveria no Brasil mais de 6 milhões de pessoas que já tiveram contato com o vírus.

— Se o número exato é de 4, 5, 6 ou 10 milhões a gente não tem como saber, porque nossa pesquisa foi conduzida em 133 cidades e não em todo o Brasil. Mas desde a primeira fase da pesquisa, em maio, a gente já informava que a contagem de casos do Brasil estava na casa dos milhões e não mais dos milhares — diz Hallal.

A compreensão do cenário nacional é difícil porque cada região parece estar num estágio diferente da pandemia. Fernando Bozza, cientista da Fiocruz que lidera o grupo Nois, um consórcio que analisa a dinâmica da Covid no país, afirma que é visto, por diferentes métricas, um arrefecimento da epidemia, ao menos para as cidades do Rio e de São Paulo e outros grandes centros, mas ele faz um alerta:

— A ideia do pico é complicada porque pressupõe uma trajetória apenas de “subiu, parou e caiu”. Eu acho que não vai ser assim. Vamos viver mais por uma montanha-russa do que por um pico.