Ministro do Interior do Peru propõe manter toque de recolher até fim do ano

O toque de recolher noturno em vigor desde março no Peru deverá ser mantido até dezembro devido à pandemia, além de visar conter um aumento previsível da violência, informou nesta terça-feira (16) o ministro do Interior, Gastón Rodríguez.

“Quanto ao toque de recolher, também fizemos a proposta de mantê-lo até o final do ano. Está sob avaliação” do governo, declarou o general Rodríguez à emissora Latina.

O chefe da segurança interna enfatizou que há um risco de aumento do crime caso o toque de recolher seja suspenso.

“Sabemos que os atos criminosos ocorrem mais à noite e nas primeiras horas da manhã. Nos finais de semana, os criminosos aproveitam o fato de que as pessoas estão chegando de uma noite de diversão para roubá-las”, explicou o general.

O ministro do Interior juntou-se a seu colega da Defesa, o general Walter Martos, que havia sugerido no final de maio manter o toque de recolher por tempo indeterminado, argumentando que a pandemia deve permanecer sob controle.

“Quanto ao crime, haverá um aumento, porque os criminosos estão cumprindo a quarentena (obrigatória), e essa situação (agressões, assaltos) já está começando a ocorrer”, afirmou.

O Peru está sob toque de recolher noturno há 90 dias. Em Lima, ele ocorre entre as 21 horas e as 4 horas do dia seguinte, enquanto nas regiões mais afetadas pelo vírus, entre as 18 horas e as 4 horas, de segunda a sábado. Aos domingos, a restrição se estende por 24 horas em todo o país.

O Peru estendeu a quarentena e o toque de recolher até 30 de junho.

“Os crimes aumentarão quando o confinamento terminar, porque a pobreza aumentou e há pessoas que ficaram sem renda e trabalho”, defendeu o ex-ministro do Interior, Fernando Rospigliosi, em entrevista à AFP há uma semana.

Em maio, a imprensa começou a mostrar o aumento de ataques a farmácias e o tráfico ilegal dos suprimentos médicos.

No Peru, há 232.992 casos registrados da Covid-19, o segundo maior número na região da América Latina, atrás somente do Brasil. Há 6.860 mortos.