Marinha emite alerta para formação de ciclone no litoral do RJ e ES

A Marinha do Brasil emitiu alerta sobre a formação de ciclone nesta sexta, 24, na costa da Região Sudeste. Se o sistema evoluir para tempestade subtropical, será o nono fenômeno semelhante registrado no Brasil desde 2011 e vai receber o nome de Kurumí – ou “menino”, em tupi-guarini.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, 3, a Marinha afirma que o centro do ciclone está localizado a 250 quilômetros a sudeste de Macaé, no Rio de Janeiro, em área oceânica. Ainda considerado “depressão subtropical”, estágio anterior à tempestade, o sistema deve provocar impactos em alto-mar na costa entre São Paulo e Santa Catarina e também do Rio à Bahia.

Segundo a Marinha, o mar deve apresentar condições adversas entre as cidades de Laguna (SC) e Santos (SP), trecho da costa com cerca de 780 quilômetros. Também há previsão de mau tempo entre Arraial do Cabo (RJ) e Ilhéus (BA), distantes cerca de 1.150 quilômetros.

Para ser classificado como tempestade subtropical e passar a ser chamado de Kurumí, os ventos devem atingir 63 km/h ou mais. Nesta quinta, a intensidade era de 55 km/h.

De acordo com a nota da Marinha, no entanto, há previsão de ventos com intensidade de 87 km/h, também na região do oceano, na costa entre Arraial do Cabo (RJ) e Caravelas (BA), até o sábado, 25. “Mais ao Sul, são esperados ventos com direção sudeste a leste e intensidade de até 61 km/h, em alto-mar, entre o estado de Santa Catarina, ao norte de Laguna (SC) e o Estado de São Paulo, ao sul de Santos (SP), até o dia 24 pela manhã”, diz.

Do Rio à Bahia, a tempestade pode provocar agitação marítima e ondas entre 3 e 5 metros de altura no oceano – mas que não devem chegar às praias, segundo meteorologistas. Já de São Paulo a Santa Catarina, a previsão é de ondas de 3 a 3,5 metros.

“Há condições favoráveis à ocorrência de ressaca com ondas de Sudeste a Leste e altura de até 2,5 metros, entre as cidades de Tramandaí (RS) e Santos (SP), até o dia 24 à noite”, afirma a Marinha, na nota.

Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, a formação do ciclone está relacionada à queda acentuada da pressão atmosférica sobre o oceano e também à alta temperatura na água do mar, que está entre 26ºC e 27ºC.

“Por causa dessas características e da circulação de ventos em diversos níveis atmosféricos, essa área de baixa pressão atmosférica começou a ganhar mais força e já se transformou no que chamamos de depressão subtropical”, diz Josélia. “Ciclone, na verdade, é um nome genérico para áreas organizadas de baixa pressão.”

A especialista afirma, ainda, que o ciclone se desloca em direção ao oceano. “Ele está em formação em alto-mar e não deve chegar à costa. Está longe. O cuidado maior é para embarcações que se deslocam no oceano”, diz. “O efeito no continente é pouco. Talvez se observem ventos de até 60 km/h na faixa litorânea, mas essas eventuais rajadas não têm poder de destruição.”

Ainda segundo a meteorologista da Climatempo, a principal preocupação é que a queda da pressão atmosférica forma áreas de instabilidade e provocar chuvas em Minas Gerais e no Espírito Santo, que já sofreram com temporais recentemente. A região serrana do Rio também pode ser atingida por temporais.

“O processo de formação desse ciclone está colaborando para aumentar a instabilidade no continente”, afirma Josélia.

Em São Paulo, há previsão de chuvas mais fortes na região norte. A formação do ciclone, no entanto, não deve provocar maiores impactos no Estado, segundo a meteorologista.