Mais fominha no Catar, Dudu diz: “Estou aqui só por um tempo, minha vida é no Palmeiras”

Se até pouco tempo atrás alguém chegasse e contasse que Dudu e Palmeiras estariam presentes num Mundial de Clubes, ninguém imaginaria a possibilidade de serem concorrentes. Mas, com as voltas que o futebol dá, é justamente o que acontecerá na competição que tem início nesta quinta-feira, no Catar.

O Al Duhail, atual clube do atacante de 29 anos, entra como coadjuvante na disputa, na chave oposta ao Verdão, que terá num possível – mesmo que improvável – adversário um torcedor.

– Espero que possam ganhar o Mundial. A gente quer ganhar, mas reconhece que tem times na nossa frente. A gente sabe que para a gente (Al Duhail) é muito difícil, tem que ter muito milagre. Espero que o Palmeiras possa vir e voltar feliz para casa – disse, em entrevista por chamada de vídeo ao ge (veja alguns trechos no vídeo acima).

– A gente é realista. A chance do Palmeiras é maior que a nossa. Se eu ganhar uma competição dessa com esse clube, vou ter estátua para tudo que é lado no Catar. O xeique vai ficar muito feliz. A gente reconhece que as maiores condições são do Palmeiras e do Bayern – completou.

Palmeiras e Al Duhail só poderão se enfrentar numa final, algo muito distante por conta do Bayern de Munique no caminho do clube catari, ou numa disputa pelo terceiro lugar, caso ambos percam na semifinal. Pensando num hipotético duelo, Dudu já deixa um aviso caso faça gol.

– Esquece, não comemoro nunca… – resumiu.

O ídolo palmeirense vê nos gols que tem marcado no Catar a principal diferença no estilo de jogo. Ele afirma não ter mudado o posicionamento em campo, mas revela uma cobrança maior para balançar as redes.

Às vezes o treinador me põe de camisa 10, mas fiz isso no Palmeiras já. Jogo mais pelo lado esquerdo. O que mudou é que estou mais fominha, aqui a gente tem que fazer gol. Assistência não conta, ninguém quer saber (risos).
— Dudu, sobre mudança de estilo de jogo no Catar

– No Palmeiras, a assistência às vezes valia mais que o gol. Aqui os meninos (companheiros de clube) falaram: “Não precisa dar passe não. Querem que você drible, faça gol. Perto da área é para chutar”. Claro que se tiver companheiro posicionado tem que dar o passe. Mas estou aprendendo a ser fominha aqui, e não está sendo ruim não.

Depois de um início complicado por conta do calor e da adaptação ao idioma, Dudu realmente tem vivido sua temporada com melhor média de gols na carreira. Claro que o nível técnico não se compara aos dos tempos no futebol brasileiro, mas ele afirma que os jogadores compensam na correria, o que gera um fator de dificuldade. Pelo Al Duhail, são 11 gols em 22 jogos em 2020/21.

Saudade até dos xingamentos?

 

Emprestado por uma temporada inicialmente, Dudu faz planos para ser adquirido em definitivo pelo Al Duhail, algo que renderia cerca de R$ 37 milhões ao Palmeiras, e jogar por outros dois anos. Mas o ex-camisa 7 alviverde, que se sente parte do grupo campeão da Libertadores, não esconde que sente falta da rotina e até mesmo das cobranças no clube brasileiro.

– Estou feliz no clube. Espero que eles me comprem. Mas se eu voltar, vou voltar muito feliz para o Palmeiras, é a minha casa. Onde me sinto bem. Estou com saudade dos meus companheiros, saudade do pessoal que trabalha no clube. Estou com saudade até da torcida me xingar, porque aqui não tem isso. Às vezes quem cobra aqui é o presidente, o xeque. Não é a cobrança que a gente tem no Brasil.

Dudu com Luiz Adriano e Patrick de Paula em seu penúltimo jogo pelo Palmeiras, contra o Guaraní-PAR na Libertadores — Foto: Marcos Riboli

Dudu com Luiz Adriano e Patrick de Paula em seu penúltimo jogo pelo Palmeiras, contra o Guaraní-PAR na Libertadores — Foto: Marcos Riboli

– Se eu não for comprado, vou sentir que vim e não fiz um bom trabalho. Se os caras não quiseram me comprar foi porque não consegui fazer um bom trabalho. Mas vou voltar muito feliz para o Palmeiras, foi minha casa. É onde me sinto à vontade. Se não voltar agora no meio do ano, que possa ser ano que vem, que possa ser em 2023.

Estou aqui só por um tempo, mas minha vida é no Palmeiras. Meu coração está lá. Minha vida é lá. Meu time é lá.
— Dudu, sobre retorno ao Palmeiras

Caso a volta se concretize, Dudu terá chances de disputar um novo Mundial, desta vez pelo Palmeiras, mesmo sem ganhar uma Libertadores. Explica-se: a Fifa organizará a competição em um novo formato, com mais clubes e fase de grupos, a ser disputado de quatro em quatro anos. Como a estreia deve acontecer em breve, é provável que o campeão da Libertadores 2020 pegue uma das vagas destinadas a representantes da Conmebol.

“O Palmeiras já tem Mundial”

 

Perguntado a respeito da música provocativa “O Palmeiras não tem Mundial”, feita por torcedores rivais, Dudu afirma que internamente nunca foi algo sentido pelos jogadores. Até porque, segundo ele, o clube vai a Doha em busca de um bicampeonato.

– O Palmeiras conquistou em 1951. O povo palmeirense fala que é um Mundial, eles já têm um Mundial. O Palmeiras, se ganhar, vai ser o bi, o segundo Mundial. Eu nunca me senti ofendido quando jogava lá. A gente sabe que tem essas coisas das outras torcidas, mas nunca senti isso. Não entra lá no clube, pelo que conheço não afeta em nada.