Insegurança total: Moradores do Jardim Colorado têm medo até de caminhar pelas ruas

A população reclama da falta de policiamento na região e destaca que os bandidos que mandam no bairro

Abalados após a morte do menino Kauan Andrade, moradores do bairro Jardim Colorado evitam sair de casa por medo de se tornar mais uma vítima de crimes bárbaros registrados em Campo Grande nos últimos dias. Uma agende de saúde, que prefere não se identificar, afirmou que sai de casa forçada, já que precisa trabalhar para sustentar a família.

“Eu saio para trabalhar com medo, esse bairro está muito perigoso. Tem muito usuário de drogas por aqui, você anda pela rua sem saber o que pode acontecer. Saio mesmo porque preciso trabalhar porque eu não queria nem colocar a cara para fora de casa, me sinto menos insegura dentro da minha casa”, diz a agente.

Ela destaca ainda que viaturas não realizam rondas na região e os traficantes conseguem comercializar entorpecentes à luz do dia, como se estivessem vendendo doces. “Eles vendem nas esquinas, ficam fazendo as vendas deles normalmente como se vendessem doces e os moradores ficam assim, com medo”.

Concordando com as afirmações da agente, a idosa Orlandina da Silva Brites, de 64 anos, afirmou que se mudou para a região quando o bairro foi construído e o cenário só piora. “Eu estou aqui desde que esse bairro nasceu e cada dia piora mais. Os maloqueiros ficam nas ruas, nós somos reféns da sociedade, dos bandidos, aqui não tem polícia”.

Dona Orlandina destaca ainda que os moradores foram abandonados pela prefeitura, já que nem mesmo cascalhamento é feito pelas ruas. “Cascalho? Na frente da minha casa tem cascalho porque eu peguei de uma obra da vizinha e trouxe na carriola para a frente da minha casa para conseguir sair sem sujar os pés. Aqui vira um rio em época de chuva. Prefeitura? Acho que eles pensam que o bairro Colorado não faz parte de Campo Grande porque aqui ou os moradores se viram ou vivem nessa situação complicada, que todo mundo vê, basta caminhar pelas ruas”.

Ela afirma que não recebe políticos em sua residência na época de eleição e acaba desferindo palavras de baixo calão ao se deparar com candidatos no portão. “Eu xingo mesmo, xingo porque eles sabem chegar aqui pedindo voto, mas na hora de fazer, não fazem nada. Já coloquei muita gente para correr daqui, não adianta vir no meu portão mentir na minha cara, eu xingo mesmo. Eu até gosto do prefeito Marquinhos Trad, mas de que adianta, ninguém faz nada pelo nosso bairro e nem esperança de que algo seja feito eu tenho”.

Sobre o menino Kauan, que teria sido violentado e morto por Devid Almeida, a idosa relembra que via diariamente o menino brincando pela rua. “Eu via ele aqui na frente. Coitadinho, foi mais uma vítima dessa insegurança porque se tivesse polícia na rua, não passávamos por isso. Pelo menos inibia esses monstros. Ele ficava aqui embaixo da minha árvore sentadinho, vendo as crianças brincando. Ele ficava esperando cair uma pipa para emendar uma linha na outra e tentar soltar pipa”.

Luis Gustavo de Moraes, 48 anos, destaca que mora na região há mais de dez anos e que a população está em choque após o assassinato de Kauan, mas a insegurança ronda diariamente os moradores. “Aqui estamos assim, acordamos hoje sem saber se vamos acordar bem amanhã porque o índice de violência é muito alto. Estamos abandonados, fomos abandonados pelo poder público, isso é normal da parte deles”.

O TopMídiaNews (fonte), entrou em contato com o governo do Estado sobre o policiamento na região, já que ele é responsável pela Polícia Militar, mas até o fechamento desta matéria nenhuma resposta foi encaminhada. Também entramos em contato com a prefeitura da Capital para verificar se existe previsão de cascalhamento no local e fomos informados de que existe mais de mil quilômetros de ruas não pavimentadas para manter e a Secretaria de Infraestrutura e Serviços executa um cronograma de serviços para atender as demandas da população, sendo que o Jardim Colorado está nesta programação.