Rubro-negra tenta brecha jurídica para ir à final do torneio e alega: “Não se trata de buscar resultado fora de campo
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O Flamengo divulgou uma nota na noite deste sábado para esclarecer seu protesto jurídico envolvendo a inscrição do zagueiro Marcos Rojo, do Estudiantes, na semifinal da Libertadores. Após ser eliminado pelo clube argentino, o rubro-negro tenta uma brecha jurídica para conseguir a vaga na final, alegando que o veterano não poderia ter atuado na eliminatória.
Segundo o texto, o clube alega não ter iniciado nenhum procedimento, e estar apenas agindo para “preservar seus direitos”.
“Não se trata de buscar resultado fora de campo. Trata-se de garantir que as regras de uma competição internacional valham igualmente para todos os clubes, de todos os países”, afirma o Flamengo em trecho.
O rubro-negro aponta que a Conmebol “zelou pelo cumprimento de seus regulamentos e pela integridade de seus torneios” ao negar a participação de Rojo no jogo de ida da semifinal, e que o Estudiantes, “inconformado”, conseguiu uma autorização provisória na Corte Arbitral do Esporte (CAS).
Segundo a nota, o Flamengo se envolveu quando foi citado pelo Estudiantes no processo no CAS, e havia dito antecipadamente que abriria um protesto em caso de escalação do atleta.
“Em 21 de outubro, o CAS autorizou provisoriamente a participação do atleta, mas negou o pedido do Estudiantes para afastar as consequências esportivas e disciplinares que possam decorrer da decisão final. Os riscos dessa escolha ficaram com o clube argentino e o jogador. Chamado a integrar um processo que não iniciou, o Flamengo agiu apenas para preservar seus direitos. Antes da partida semifinal, informou ao CAS, em manifestação também comunicada ao Estudiantes, que, se o atleta fosse escalado, apresentaria a reclamação prevista no regulamento. O clube argentino, portanto, entrou em campo ciente dessa consequência, além do alerta já feito pelo próprio CAS. Após o jogo, o Flamengo apresentou a reclamação dentro do prazo, nos termos do artigo 24.1.b do Código Disciplinar da CONMEBOL, e pediu que o caso seja decidido antes da final da competição”, disse o rubro-negro.
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Veja nota:
“O Clube de Regatas do Flamengo esclarece que não deu início a nenhum procedimento relativo à inscrição do atleta Marcos Rojo pelo Club Estudiantes de La Plata na CONMEBOL Libertadores 2026.
Em 9 de outubro, o Estudiantes solicitou à CONMEBOL a inclusão do atleta em sua lista para a semifinal, em substituição a um jogador lesionado. O período de inscrições (“janela de transferências”) na Argentina estava encerrado desde 2 de setembro, e o atleta havia disputado partidas oficiais pelo Racing até 27 de setembro.
A CONMEBOL, organizadora da competição, que sempre zelou com rigor pelo cumprimento de seus regulamentos e pela integridade de seus torneios, analisou o pedido e consultou a FIFA. A FIFA esclareceu que suas regras sobre períodos de inscrição são de aplicação obrigatória também nas transferências nacionais e não admitem exceções além das previstas em seu regulamento. Com base nisso, a CONMEBOL recusou a substituição em 14 de outubro e manteve a recusa em 15 de outubro, ou seja, antes do jogo de volta da semifinal. Essas regras são de observância obrigatória por todas as associações e conhecidas e aceitas por todos os clubes ao se inscreverem no torneio. O Flamengo não participou de nenhuma dessas etapas.
Inconformado, o Estudiantes recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) e indicou o Flamengo, seu adversário na semifinal, como parte no processo. Foi assim, em 16 de outubro, que o Flamengo foi chamado ao caso. Em 21 de outubro, o CAS autorizou provisoriamente a participação do atleta, mas negou o pedido do Estudiantes para afastar as consequências esportivas e disciplinares que possam decorrer da decisão final. Os riscos dessa escolha ficaram com o clube argentino e o jogador.
Portanto: (i) antes do jogo de volta da semifinal, a CONMEBOL, após consulta à FIFA, negou por duas vezes o pedido do Estudiantes para inscrever o atleta; (ii) foi o Estudiantes quem recorreu ao CAS para obter a liberação do atleta, incluindo o Flamengo como parte no processo; e, (iii) antes do jogo, o CAS negou ao Estudiantes a pretendida garantia de que a escalação do atleta não traria consequências esportivas e disciplinares.
Não se trata de buscar resultado fora de campo. Trata-se de garantir que as regras de uma competição internacional valham igualmente para todos os clubes, de todos os países.
O Flamengo reitera seu profundo respeito ao CAS e à CONMEBOL, instituições cuja atuação é essencial para a integridade, a segurança jurídica e o equilíbrio do futebol internacional, bem como ao Estudiantes, clube de reconhecida tradição. Confiante na condução responsável e criteriosa do processo por parte da CONMEBOL, o Flamengo aguardará com serenidade a decisão final e a acolherá com o respeito institucional que sempre pautou sua atuação e que espera de todos os participantes.”
Entenda o contexto
Eliminado pelo Estudiantes em campo na semifinal da Libertadores, o Flamengo tenta usar um artifício judicial para chegar à decisão do torneio. O clube entrou com uma ação na Conmebol na sexta-feira por conta da escalação do zagueiro Marcos Rojo, alegando irregularidade por parte dos argentinos. A informação foi dada inicialmente pelo jornalista argentino Germán Garcia Grova.
A estreia do jogador vice-campeão mundial com a Argentina em 2014 era projetada para o jogo de ida contra o Flamengo, em La Plata.
Então, o Estudiantes apelou à Corte Arbitral do Esporte (CAS), que aceitou o recurso apresentado e liberou a participação de Rojo no Maracanã. Ele foi titular e ficou em campo durante 75 minutos do empate sem gols — o Estudiantes venceu nos pênaltis (3 a 2).
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Na visão do clube, pelo artigo 19 do regulamento, o rubro-negro seria declarado vencedor, pelo placar de 3 a 0, e se classificaria automaticamente para enfrentar o Palmeiras na decisão do dia 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai.
O rubro-negro acompanhou os passos dados pelo Estudiantes no CAS e sempre se mostrou contrário à participação de Rojo. A manifestação na Conmebol ocorreu dentro do prazo estabelecido pelo regulamento, de até 24 horas após o fim da partida. Agora, o Estudiantes tem até as 18h de amanhã para apresentar defesa.
Neste processo, o Flamengo conta com um precedente de 2018, quando o Santos teve um resultado alterado na Libertadores por conta da escalação irregular do meia Carlos Sánchez. Após um empate sem gols do clube paulista com o Independiente, no jogo de ida das oitavas de final, a Conmebol abriu expediente disciplinar e decidiu aplicar a punição e a derrota por 3 a 0. Em desvantagem, o Peixe empatou novamente por 0 a 0 no Pacaembu e acabou eliminado do torneio.





