Fachin precisa propor algum tipo de punição para Moraes e Mendonça, dizem interlocutores do presidente do STF

Por Valdo CruzMárcio Falcão

Aliados do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, defendem que ele leve ao plenário uma proposta que dê respostas aos dois protagonista da “crise Master” na Corte. E não descartam nem mesmo a discussão de uma punição aos dois colegas. Tanto para André Mendonça como para Alexandre de Moraes.

  • Mendonça deve ser advertido pelo que foi considerado uma invasão de prerrogativas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República quando o magistrado avançou sobre dados envolvendo o colega.
  • Moraes porque precisa explicar sua ligação com Daniel Vorcaro e esclarecer se tomou alguma medida para beneficiar o ex-banqueiro.

Segundo a equipe de Fachin, o caso será submetido ao plenário físico. A expectativa é que a temperatura, que nesta quinta-feira (3) atingiu um ponto explosivo, baixe nos próximos dias com o fim de semana e o feriado de Sete de Setembro.

Depois, o presidente do STF vai aguardar as respostas de todos os lados para definir o que deve propor ao plenário do tribunal.

Nos bastidores, ministros das duas alas avaliam que teria faltado pulso a Fachin na condução da crise, o que ampliou o embate entre Moraes e Mendonça.

Integrantes da Corte ouvidos pelo blog sob a condição de reserva apontam que o presidente do STF deveria ter sido mais enfático nas conversas na tentativa de costurar algum entendimento ou até mesmo estabelecer um protocolo entre os colegas para evitar os ataques públicos, o que é visto como uma forma até mesmo de deslegitimar o Supremo e reforçar ataques externos.

Interlocutores de Fachin, no entanto, afirmam que o presidente tem atuado de forma firme e intensa para preservar a Corte diante da escalada da crise e ainda para evitar a guerra pública entre os dois colegas.

Esses auxiliares citam que o presidente tem feito intensas reuniões não só com Moraes e Mendonça, mas também com interlocutores deles e conversado individualmente com todos os ministros para construir uma solução conjunta.

Edson Fachin, presidente do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF

Edson Fachin, presidente do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF

“Não será possível varrer tudo isso para debaixo do tapete, tal como aconteceu no caso de Toffoli. É preciso mostrar para a sociedade que o tribunal não poupa seus pares”, disse reservadamente um aliado de Edson Fachin.

 

O presidente do STF já adotou nesta sexta-feira (4) uma medida importante, retirando o pedido de Alexandre de Moraes contra André Mendonça do âmbito do inquérito das fake news e levando o pleito para o seu gabinete.

Fachin juntou o pedido de Moraes ao de André Mendonça e determinou que todos os envolvidos na “crise Master” enviem, num prazo de cinco dias, explicações para que o presidente do STF tome a decisão do que será discutido no plenário.

FontePor G1

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