Ex-PM de MS acusado de chefiar quadrilha de contrabando de cigarros corrompia policiais em MS, diz investigação

Fábio Costa, conhecido como “Pingo” e “Japonês” é apontado pelo Ministério Público como recrutador de policiais militares, e responsável pelo pagamento de propinas aos militares cooptados

Fábio Costa, conhecido como “Pingo” e “Japonês”, estava em um quarto escondido de uma casa em um condomínio de luxo em Salto Del Guairá, no Paraguai — Foto: Ministério Público do Paraguai/Divulgação

Preso neste domingo (11) no Paraguai, o ex-policial militar de Mato Grosso do Sul, Fábio Costa, conhecido como “Pingo” e “Japonês”, é apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Ministério Público como “recrutador de policiais militares, e responsável pelo pagamento de propinas aos militares cooptados”.

Conforme a denúncia, que faz parte das investigações da Operação Oiketicus, que prendeu diversos policiais por corrupção no estado, Fábio Costa estava na lista de criminosos mais procurados do país do Ministério da Justiça por crimes contra a vida (pistolagem), contrabando e descaminho, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Em um dos casos de propina identificado em conversa interceptada pela Polícia Federal (PF), “Pingo” orienta para “liberar o valor de R$ 20 mil” ao então comandante de Amambai, o tenente-coronel Wesley Freire de Araújo. Este seria apenas um dos valores pagos ao ex-comandante, já que em uma planilha apreendida pela polícia, constam valores de mais de R$ 300 mil direcionados à Polícia Militar de Amambai.

Lista de propina da “Turma do Pingo” ao então comandante da PM de Amambai (MS) — Foto: TV Morena/Reprodução

A denúncia do Gaeco também aponta que os contrabandistas foram beneficiados pelo Coronel Kleber Haddad Lane que, “na condição de Diretor do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) não repassou relatórios de inteligência do órgão com vistas a proteger os integrantes da organização criminosa, da qual recebia vantagens indevidas”, diz a denúncia.

Ainda conforme o Ministério Público, “se essas informações tivessem sido enviadas seria possível, com muito mais facilidade, desbaratar a organização criminosa em questão, até mesmo com a prisão do contrabandista Fábio Costa”. Enquanto isso, “Pingo” se aproveitava da corrupção dos ex-colegas de farda, como mostra na conversa interceptada pela polícia.

“Bom demais mexer com cigarros do Paraguai. Quando eu era polícia, mal conseguia comer lanche fiado”, afirmou.

O advogado do Tenente-Coronel Wesley Freire informou que não há provas e evidências concretas contra ele. A defesa do Coronel Kleber Haddad também alega falta de provas e diz que, ao contrário da denúncia, quando ele era comandante do DOF, fez aumentar as prisões de contrabandistas. Todos os ex-comandantes continuam presos. Alguns estão em prisão domiciliar pois testaram positivo pra covid-19 e devem retornar ao sistema penitenciário depois de 21 dias.

Em conversa interceptada pela polícia, “Pingo” afirmou ser “bom demais mexer com cigarros do Paraguai” — Foto: TV Morena/Reprodução