Estiagem leva maior rio do Pantanal a ficar perto do índice mais baixo já registrado

O Pantanal registra a pior estiagem em quase 50 anos. Em algumas áreas, o leito do Rio Paraguai secou.

O gigante que se espalhava inundando tudo pela frente durante a cheia agora segue o caminho de forma contida e preocupante.

A régua da Marinha serve de parâmetro para a navegação. Em Ladário, o Rio Paraguai está 57 centímetros abaixo do nível de referência. O menor registro foi em 1964, quando chegou a -61 centímetros.

Em 2018, nessa mesma época, o rio estava mais de três metros acima da referência.

“O rio tem mantido um ritmo de descida de dois centímetros por dia há algum tempo. Se ele se mantiver nesse nível de descida nos próximos dias, é provável que alcance o nível observado em 1964, quando o rio chegou na mínima histórica”, disse Marcus Suassuna, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil.

 

O retrato é de uma das piores secas do Pantanal. Do alto, é possível ter a dimensão de como o rio Paraguai está cada vez mais raso. Sem ter água suficiente para inundar a planície, os bancos de areia estão aparentes.

Atualmente, é possível caminhar tranquilamente pelo leito do rio. Há três meses, só os barcos atravessavam.

Com pouca água, os prejuízos são inevitáveis. As barcaças para exportação de minério de ferro não podem navegar. Só a Vale movimenta mais de R$ 1,3 bilhão em minério por ano.

“Nós tivemos que buscar novas alternativas logísticas, como a utilização da rodovia para escoar a nossa produção. Criamos conexões e novas rotas para vender nosso minério para siderúrgicas nacionais e exportá-los através de outros portos”, disse Rodrigo Mello, da Relações Institucionais e Governamentais da Vale.

Para dar vazão à produção, o movimento na estrada quase dobrou. Em março, quando a navegação ainda não estava suspensa, por dia passavam cerca de 470 carretas. Agora, são 770.

Para a situação se normalizar, é preciso muita chuva, principalmente na parte mais alta do Pantanal.

“Seria necessário uma quantidade acima da média de chuvas, principalmente na região norte da Bacia do Mato Grosso para que esse cenário mude e começamos, então, a ter a fase de enchentes”, afirma Carlos Padovani, pesquisar da Embrapa Pantanal.