Estiagem faz Lagoa Itatiaia ter pior seca dos últimos anos e peixes não resistem

Por não ter nascente, lagoa depende de água da chuva para manter volume de água

Seca é visivelmente maior do quem em 2019 (Foto: Leonardo de França/ Midiamax)

Quando se trata de lazer ao ar livre, a Lagoa Itatiaia, no bairro Tiradentes, é referência para os moradores de Campo Grande. Neste ano, as altas temperaturas revelam banco de areia, acúmulo de lixo, morte da fauna e uma seca visivelmente pior que a registrada há 1 ano.

Lata de cerveja, bituca de cigarro, garrafa pet, sacola plástica, pacote de salgadinho e vários outros detritos deixados por quem frequenta a lagoa é comum e revela a falta de educação de muita gente.

Dono de um comércio localizado em frente à Orla, Paulo Laerte, de 60 anos, reclama do acúmulo de lixo na região. “Falta consciência, tem uma senhora que limpa duas vezes na semana, vejo pessoas que fazem caminhada e carregam sacola para recolher lixo”, disse ele.

Para quem mora há mais de 11 anos próximo da lagoa, a seca desse ano é uma das mais severas, como afirma o professor de geografia aposentado, Paulo Roberto, de 58 anos. “Do tempo que conheço, só vi ela ficar assim duas vezes, ano passado e agora”, explicou o professor.

Diante da situação, ele acredita que é necessária uma revitalização do local, mantendo o solo permeável para infiltração de água, mas reforça que só a chuva pode resolver a situação da seca.

Ele caminha diariamente 1:30 h no entorno da lagoa, no ano passado, ele coletou lixo durante todas as caminhadas, para cumprir uma promessa. “Limpei todo dia por um ano, até minha mão ser operado do câncer. Algumas pessoas respeitam e colaboraram, outros continuaram jogando.

Há também aqueles que aproveitam o horário de almoço para relaxar em meio natureza. No caso do motoboy, Isaias Júnior, de 22 anos, ele conheceu o local em maio, quando começou a trabalhar na região. “Comecei a trabalhar aqui perto e conheci, é um lugar bom para passar a hora do almoço, ar fresco”. E também fica indignado com a situação da limpeza. “Falta cuidado das pessoas, você vê uma lixeira, mas está toda destruída”,  comentou.

Parecer técnico

Doutora em química, a professora especialista em análise de águas e efluentes, Rosemary Matias, esclarece que a água do local está contaminada por coliformes fecais. “Em 2017 e 2018 realizamos um monitoramento mensal sobre a qualidade da água, em relação aos microrganismos da água, ela apresentou um número de bactérias acima do que preconiza a resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) ”, disse ela.

Se for utilizado a resolução 357/2005 do Conama a lagoa é classe 4, nesse caso, ela é somente para contemplação, não é recomendada para banho, colocar a mão, pescar ou estabelecer qualquer tipo de contato com a água, mas somente o órgão ambiental responsável pode afirmar a sua categoria.

A especialista relembra que o local não é uma nascente e é abastecido apenas pela água da chuva, logo, o surgimento de um banco de areia é consequência da falta de chuva. “Não está assoreada, ela está diminuindo volume e aparece os bancos de areia por conta da seca. A terra não tem um declive, que podemos falar que está vindo material para dentro, pode até acontecer um pouco, mas não é a tendência”, disse ela.

Como resultado da atual situação, foi possível constatar um grande número de peixes mortos, devido à falta de oxigênio. “Com a diminuição do volume de água, ocorre uma depressão do oxigênio. Sem renovação da água, com baixa umidade, e a decomposição matéria orgânica consumindo oxigênio, ocorre a falta desse elemento, o que ocasiona a morte dos peixes”, finalizou.