Em encontro com universitários, Carlos Bernardo e Marcelo Miranda defenderam fortalecimento do esporte universitário; organização estudantil, permanência na educação e formação cidadã estiveram no centro das discussões
Campo Grande (MS) – Muito além das quadras, das baterias e das competições, as atléticas universitárias vêm ampliando seu espaço dentro das instituições de ensino e também no debate sobre políticas públicas voltadas à juventude. O papel dessas organizações como instrumento de integração, permanência estudantil, prática esportiva e formação cidadã foi um dos principais temas do encontro que reuniu estudantes e lideranças políticas em Campo Grande nesta quarta-feira (9).
A agenda marcou a atuação conjunta dos candidatos Carlos Bernardo, a deputado federal, e Marcelo Miranda, a deputado estadual. Também participaram o ex-governador Reinaldo Azambuja, candidato ao senado, representantes políticos e estudantis. Durante o encontro, Marcelo Miranda destacou a capacidade de organização das atléticas e defendeu que o esporte universitário seja visto como uma continuidade do trabalho iniciado ainda durante a formação escolar.
Professor de Educação Física, ex-atleta e ex-técnico de handebol, Miranda relembrou sua trajetória no esporte e sua experiência na gestão pública para defender uma política que acompanhe os jovens também depois da escola. “As atléticas têm uma capacidade de auto-organização impressionante. Elas criam espaço para o jovem continuar treinando, competindo e, ao mesmo tempo, seguir sua formação profissional. O esporte universitário é uma grande saída para manter esses atletas em atividade”, afirmou Marcelo.
Segundo ele, uma das dificuldades enfrentadas por atletas que deixam o esporte escolar é justamente a falta de estruturas para dar continuidade à prática esportiva. Nesse cenário, universidades e atléticas passam a ocupar um espaço importante, criando competições, mobilizando estudantes e promovendo convivência entre diferentes cursos e instituições.
Essa atuação também ajuda a ampliar uma discussão sobre o papel do esporte dentro da política educacional. Além da atividade física, projetos esportivos contribuem para criar vínculos, estimular disciplina, responsabilidade coletiva e ocupação positiva dos espaços de convivência. São elementos que dialogam diretamente com educação, cidadania e prevenção de situações de vulnerabilidade entre os jovens.
Carlos Bernardo defendeu que essa organização estudantil seja fortalecida e sugeriu a criação de uma articulação entre presidentes de atléticas de Mato Grosso do Sul e da região de fronteira. “Criem uma comissão reunindo os presidentes das atléticas. Quando existe organização e existe projeto, é possível buscar recursos. Vocês podem fazer um grande trabalho para fomentar o esporte universitário e ajudar estudantes que muitas vezes não têm condições”, disse Carlos Bernardo.
A proposta apresentada pelo candidato a deputado federal é transformar a capacidade de mobilização já existente entre os universitários em projetos estruturados que possam buscar apoio e recursos públicos.
Bernardo citou ainda a experiência das atléticas universitárias na fronteira, onde milhares de brasileiros estudam, especialmente nos cursos de Medicina em Pedro Juan Caballero. Para ele, atividades esportivas, culturais e de integração também fazem parte da experiência universitária e ajudam a construir uma comunidade acadêmica mais integrada.
O ex-governador Reinaldo Azambuja também destacou a relação entre educação e oportunidades para os jovens. Ao falar aos universitários, defendeu uma visão de formação que começa ainda nos primeiros anos de ensino e se estende até o nível superior. “A educação é o todo. Vocês estão no nível superior, mas, se a gente não atender lá na pré-escola, o aluno não chega até aqui. E vocês, das atléticas, fazem parte da história do esporte de Mato Grosso do Sul”, afirmou Azambuja.
A presença das atléticas no encontro também evidencia uma mudança no próprio ambiente universitário. Entidades que durante muito tempo foram associadas principalmente a festas e competições passaram a assumir responsabilidades maiores na organização de campeonatos, representação dos estudantes, integração entre cursos e mobilização de jovens em torno de projetos coletivos.
Na avaliação dos participantes, esse movimento abre espaço para que o esporte universitário seja incorporado de maneira mais permanente às políticas voltadas à juventude.
O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Papy, também participou da agenda. “Quando uma atlética organiza estudantes em torno do esporte, ela não está promovendo apenas uma competição. Está criando convivência, responsabilidade, disciplina e pertencimento. Investir nesses jovens é investir em educação, cidadania e também em prevenção, porque o esporte ocupa espaços, cria oportunidades e aproxima as pessoas.”
A discussão sobre segurança, nesse contexto, não está restrita à atuação policial. Passa também pela construção de ambientes que ofereçam aos jovens oportunidades de convivência, educação, cultura e lazer, garantindo que o esporte seja compreendido como parte de uma política pública integrada de educação, inclusão e cidadania.





