Biden reconhece massacre de armênios como genocídio

WASHINGTON – O presidente americano, Joe Biden, anunciou neste sábado que os Estados Unidos passarão a reconhecer como um genocídio  — uma política sistemática e deliberada de extermínio de um povo —  a morte ou a deportação de até 1,5 milhão de armênios que eram cidadãos do Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial.

“O povo americano homenageia todos os armênios que morreram no genocídio que começou há 106 anos”, afirmou Biden, em um comunicado.

Ele disse que, ao longo das décadas, os imigrantes armênios enriqueceram os Estados Unidos de inúmeras maneiras, “mas nunca se esqueceram da trágica história” que levou tantos de seus ancestrais ao país.

“Honramos sua história. Nós vemos essa dor. Afirmamos a história. Fazemos isso não para culpar, mas para garantir que o que aconteceu nunca se repita”, afirmou o presidente americano.

Segundo Heitor Loureiro, pesquisador associado do Grupo de Pesquisa e Estudos sobre o Oriente Médio (GEPOM), uma das dimensões da decisão de Biden de reconhecer o genocídio é o peso da comunidade de origem armênia nos Estados Unidos, que reúne 1,5 milhão de pessoas, a maioria residente na Califórnia, com expoentes como o ex-governador do estado, George Deukmejian, a socialite Kim kardashian e o músicio Serj Tankian, líder da banda System of a Down.

—  É lógico que a Turquia vai protestar, o Azerbaijão, aliado da Turquia, já está protestando, e que haverá algum tipo de protesto na esfera diplomática, mas isso não impediu que Erdogan estivesse na cúpula do clima com o Biden nem que confirmasse sua participação na cúpula da Otan em junho próximo — ressaltou Loureiro, citando o presidente turco. Recep Tayyip Erdogan.

Para o especialista, o reconhecimento do genocídio pelos EUA é uma maneira também de fazer com que o tema seja reaberto na Turquia. Os turcos sempre alegaram que houve mortos dos dois lados nos conflitos externos e internos que acabaram levando ao fim do Império Otomano, contando cerca de 300 mil vítimas armênias, e não uma política sistemática e deliberada de extinção do povo armênio.