Candidato ao Senado atribui aos países asiáticos 57% das vendas externas de Mato Grosso do Sul, número que este jornal não conseguiu confirmar. O agronegócio responde por cerca de 96% do que o Estado exporta.
O candidato ao Senado Reinaldo Azambuja (PL 222) disse nesta quarta-feira (9) que o Brasil precisa parar de politizar a relação com os Estados Unidos para vender mais ao exterior. O comprador que ele escolheu como exemplo não é o principal cliente de Mato Grosso do Sul. Em julho, a China levou sozinha US$ 40,242 milhões dos US$ 96,55 milhões que Campo Grande exportou, ou 41,7% do total, e os Estados Unidos apareceram atrás da China e da Índia na lista de destinos, segundo os dados federais que o A Critica publicou em 7 de setembro.
“Mato Grosso do Sul e o Brasil produzem alimentos. Somos o celeiro do mundo. O Brasil vai ocupar sempre o papel de exportador. Agora, mercado internacional é diálogo, não é tensionamento. Tudo bem que tem lá o (Presidente Donald) Trump que tensiona, mas o problema é que o presidente atual brasileiro politizou isso”, afirmou Azambuja em entrevista à rádio Cidade FM, em Campo Grande.
Azambuja citou a senadora Tereza Cristina, que assumiu o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 2019, e disse que ela viajou a 40 países para abrir mercados aos produtos brasileiros. “É isso que nós temos que fazer: sentar na mesa e dialogar”, disse o candidato. “Os Estados Unidos precisam de produtos brasileiros e nós precisamos de produtos americanos”, acrescentou.
O comprador principal não é o americano
O candidato afirmou que a Rota Bioceânica vai ampliar o comércio internacional do Estado e atribuiu aos países asiáticos a maior fatia das vendas externas. “Bioceânica é isso: é mercado com os países asiáticos, que detêm hoje 57% das exportações de Mato Grosso do Sul. Então é um mercado em expansão e que a gente precisa aproveitar”, disse.
O que os números já publicados sustentam é a concentração da pauta exportadora. O agronegócio respondeu por cerca de 96% de tudo que Mato Grosso do Sul vendeu ao exterior no primeiro semestre, com US$ 5,68 bilhões e alta de 12,4%, e a soja sozinha ficou com 34,8% dessa receita, conforme levantamento publicado em 8 de setembro. É uma pauta de alimentos e matéria-prima, do tipo que a Ásia compra em volume e que os Estados Unidos compram pouco.
Do lado americano, o quadro que o candidato quer mudar já virou duas vezes neste ano. Entre janeiro e agosto, o Brasil vendeu US$ 24,105 bilhões aos Estados Unidos, queda de 9,7% em valor e de 13,6% em volume, efeito das tarifas do governo Donald Trump. Só em agosto, primeiro mês das novas tarifas, as vendas subiram 12,1% e chegaram a US$ 3,19 bilhões, puxadas pelo preço e não pela quantidade, segundo os dados da balança comercial divulgados pelo ministério. Brasil e Estados Unidos retomaram as negociações sobre as tarifas no fim de agosto.
Municipalismo é a bandeira mais repetida da campanha
Na mesma entrevista, Azambuja disse que vai defender no Senado um governo federal menor, que gaste menos com a máquina e mais com as pessoas, além da redução dos juros, do combate ao crime organizado e de reformas do Estado. Ele afirmou que vai trabalhar para que os recursos federais cheguem aos municípios.
“Se eleito senador, quero ser o senador dos municípios para que as emendas venham para os municípios, para que os recursos sejam direcionados para aquilo que é prioritário: saúde, educação e segurança pública, que é algo que preocupa a população brasileira”, disse.
Dez disputam as duas vagas
Concorrem às duas cadeiras de Mato Grosso do Sul no Senado dez candidatos: Reinaldo Azambuja, Capitão Contar, Vander Loubet, Soraya Thronicke, Beto do Movimento, Roberto Oshiro, Luiz Lemes, Valderi Garcia, Daniel Junior e Valter da Comagran.






