Antes de remoção, Secretaria ofereceu ajuda 38 vezes a moradores de rua

Segundo a Prefeitura de Campo Grande, todas as tentativas de ajuda foram recusadas.

Dois barracos construídos em margem do Rio Anhanduí ainda estão no local (Foto: Marcos Maluf)

A SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) fez 38 visitas a moradores de rua que viviam debaixo de pontilhão no cruzamento das avenidas Ernesto Geisel e Manoel da Costa Lima, onde a prefeitura pretende construir um muro para evitar que o local volte a ser acampamento. Segundo a secretaria, todas as tentativas de ajuda foram recusadas.

Por meio de nota, a administração municipal destacou ainda que só depois das várias ofertas de abrigo voluntário, houve a decisão de dar ultimato para que os moradores deixassem o local, segundo o Executivo municipal, por causa do “risco que correm no período de chuva, que começa nos próximos meses”.

A remoção tem o respaldo do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), segundo a prefeitura. “A 26ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente realizou vistoria e emitiu relatórios técnicos produzidos pelo Daex (Departamento de Apoio as Atividades de Execução). Após isso, um cronograma de intervenção, com as recomendações do MP, foi executado”.

Nesta terça-feira, homens trabalhando na limpeza debaixo do viaduto; a equipe também abria valeta para sustentar muro que será erguido no local (Foto: Henrique Kawaminami)

Remoção

Na manhã desta segunda-feira (14), equipes da prefeitura chegaram cedo ao viaduto para fazer a limpeza das margens do Rio Anhanduí. A presença dos homens com enxadas e equipamentos para recolher o lixo espantou quem se abriga no local, a maior parte usuários de drogas.

A SAS estava por lá com um caminhão para recolher os pertences dos moradores e levar quem quisesse para o Centremi (Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante e População de Rua).

Duas famílias que construíram barracos a poucos metros da ponte resistiram e nesta terça-feira (15) levavam a rotina normalmente pelo local. Rogério da Silva conta que na semana passada recebeu o ultimato. “Deram um prazo de uma semana pra gente. A gente está inscrito na Emha (Agência Municipal de Habitação). Mas até sair vamos ficar onde? E o Natal da gente? Se a gente pudesse ficar aqui seria ótimo, está tudo arrumadinho. A gente não usa droga, a gente carpiu tudo, a gente arrumou”, protesta.

Ele, a mulher e a mãe estão há cerca de 1 ano e meio no local. Os três vieram de Natal (RN) para Campo Grande e sem emprego, construíram o barraco na beira do Rio Anhanduí. “Sem ter para onde ir, a gente se encostou pra cá”

Na segunda, além da limpeza, trabalhadores começaram a abrir uma valeta para sustentar a base de um muro debaixo do viaduto. O objetivo, segundo o próprio secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese, é evitar que a área volte a ser ocupada. Nesta terça, ainda não havia paredes no local.

FonteCampo Grande News