Nalbert cita mágoa com Bernardinho por corte, critica CBV e indica nomes para treinar o Brasil
O sorriso fácil entrega: aos 52 anos, Nalbert tem orgulho do que construiu como atleta. Nos tempos de jogador, o ponteiro empilhou títulos na base e, ainda jovem, virou capitão da seleção adulta. Fez parte de uma geração vencedora, que levou o vôlei brasileiro a conquistas seguidas, com destaque para o ouro olímpico em Atenas 2004. Mas o roteiro de sucesso também teve momentos difíceis. Em entrevista ao Abre Aspas, do ge, o ex-atleta se viu em uma “sessão de terapia” e abriu o coração. Disse que o corte dos Jogos de Pequim, em 2008, deixou mágoa e estremeceu a relação com Bernardinho por bastante tempo.
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Nalbert em entrevista ao Abre Aspas — Foto: André Durão
Para o então ponteiro, Pequim 2008 seria a última chance de disputar as Olimpíadas, finalizando uma história que começou em Atlanta 1996. Inicialmente, Nalbert nem cogitava a ideia de disputar os Jogos da China, é verdade. Depois do ouro em Atenas, migrou para o vôlei de praia, mas, sem tanto sucesso, voltou à quadra e à seleção. Por isso, o corte de 2008 doeu, e os laços com Bernardinho só foram totalmente restabelecidos há poucos anos, em uma palestra.
– Os holofotes se voltam à base. Bernardinho e Zé Roberto estão arrumando a casa, cuidando de tudo. Por que isso não ocorreu antes? Falha de gestão. Não tem como fugir. Quem é a entidade máxima do vôlei brasileiro? É a CBV (Confederação Brasileira de Voleibol). Eles têm essa obrigação, essa responsabilidade de cuidar o tempo inteiro. “Ah, não tem dinheiro, não tem recurso”. Há 35 anos, tinha mais dinheiro do que agora? Vôlei é o segundo esporte do Brasil, com vários grandes patrocínios. Será que o dinheiro não está sendo colocado da forma errada? Será que não é a formação errada de treinadores e técnicos? Essa reflexão deveria existir há muito tempo – criticou Nalbert, que até hoje carrega a alcunha de “capitão”.
– O Giovane esteve na base. Eu até achei que seria preparado como substituto (do Bernardinho). Algo nesse sentido poderia funcionar. Existe muito papo, muita besteira pelo fato de ser filho do Bernardinho, mas enxergo uma capacidade absurda no Bruninho. É um líder, muito inteligente, certamente será um grande treinador. E tem uma inteligência emocional até superior à do pai, com uma comunicação mais fluida, sendo bem-visto por todos. Temos treinadores jovens no masculino, como o Filipe (Ferraz, do Cruzeiro), que não construiu carreira como jogador na seleção, mas está acostumado a ganhar. É candidato também.
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Em entrevista ao Abre Aspas, Nalbert indicou nomes para comandar o vôlei brasileiro no futuro — Foto: André Durão
Ficha Técnica
- Nome: Nalbert Tavares Bitencourt
- Apelido: Capitão
- Idade: 52 anos (09/03/1974)
- Carreira na quadra: Tijuca Tênis Clube, Flamengo, Minas, Banespa, Olympikus/Rio de Janeiro, Lube (Itália), Panasonic Panthers (Japão) e Modena (Itália).
- Principais conquistas com a seleção na quadra: ouro nas Olimpíadas de Atenas, em 2004; título do Mundial de 2002; tricampeão da Liga Mundial, em 2001, 2003 e 2007; ouro na Copa do Mundo de 2003 e na Copa dos Grandes Campeões de 1997.
- Participações em Olimpíadas: Atlanta 1996 (5º lugar); Sydney 2000 (6º lugar); Atenas 2004 (ouro).
- Outras curiosidades: é membro do Hall da Fama do Voleibol desde 2014; teve duas passagens pelo vôlei de praia (de 2005 a 2007 e de 2008 a 2010, quando se aposentou); se tornou o primeiro jogador campeão mundial em todas as categorias do vôlei (infanto-juvenil, juvenil e adulto).
ge: Como o vôlei entrou na sua vida?
– Inicialmente, eu jogava futebol. Flamenguista, fã do Zico, tinha aquele sonho de ser um jogador, mas vi que não chegaria a lugar nenhum. Comecei a acompanhar vôlei por causa da “Geração de Prata”, vi que levava jeito e falei: “Cara, é isso que eu quero para a minha vida”. E acreditem ou não, com 12 anos, tomei essa decisão. Eu sabia o que eu queria ser, onde queria chegar. A Praia de Copacabana era o meu quintal, e tinha a famosa rede da Tia Leah, no Posto 6. Era a concentração de todos os jogadores. A rede ficava armada sete dias por semana, e os atletas da seleção brasileira iam para lá. Cansei de ver Bernard, Bernardinho, Renan, Badalhoca. Eles estavam sempre ali, jogando, e aquilo era uma grande diversão para mim.
Os atletas costumam dar muita importância aos primeiros técnicos, que trabalham na formação. Você teve alguma figura que te marcou no início da carreira?
– Fui um privilegiado nesse sentido. Tive uma base maravilhosa. Fazia escolinha no Clube Israelita do Brasil (CIB). Aí, a minha professora, Sandra, perguntou se eu estava disposto a fazer um teste no Flamengo. Arregalei os olhos e falei que queria, claro. No final, tomei um não. Foi um não maravilhoso, porque ali vi que eu seria um cara determinado. O técnico virou e falou: “Olha, você não tem o tamanho que a gente gostaria que tivesse.” Realmente, eu era pequenininho, franzino. Não tinha dado estirão de altura. Acho que cresci só de raiva e cheguei a 1,95m.
– Passado pouco mais de um ano, no início de 1987, eu estava em casa, de férias. Tocou o telefone, era o Renato: “Estou saindo do Tijuca e indo para outro clube, mas eu queria que você fosse comigo”. Aí eu: “Mas me conta qual clube”. Ele falou: “Estou indo para o Flamengo. Eles não estão contentes com o treinador lá”. E o treinador lá, sabe quem era? O cara que me deu o não na peneira e falou que eu não servia. Vocês veem a ironia do destino, né? Cheguei ao Flamengo com um técnico que tinha me escolhido, que foi um educador, um grande professor. E aí eu percorri toda a categoria de base ali no Flamengo, dos 13 aos 17 anos. Fui convocado para a seleção carioca e depois alcancei a brasileira.
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Nalbert é o entrevistado do Abre Aspas desta semana — Foto: André Durão
Você se recorda de, ainda novo, ter conhecido um grande ídolo do vôlei?
– Sim, nas categorias de base. O Flamengo, nessa época, formou um time profissional bem legal, em que o grande carro-chefe era o Bernard. Por acaso, quando eu cheguei na seleção adulta, alguns números de camisa estavam disponíveis, e eu escolhi o 12, pensando no Bernard. E quem era o levantador do Flamengo? Bernardinho. O primeiro contato que tive com ele foi ali. Ele ainda era atleta e tinha uma disposição enorme. Como meu treino acabava cedo, eu aproveitava para ficar a tarde inteira lá no clube e assistia à atividade do adulto.
– Quando você é pioneiro, desbrava um caminho inédito, as armadilhas estão presentes, e erros ocorrem. A geração de Barcelona fez algo fantástico. Talvez o time estivesse sendo formado para as Olimpíadas de Atlanta, mas conseguiu vencer quatro anos antes, e os caras se transformaram em heróis nacionais, nos Beatles. Cheguei à seleção no final de 1993 e fui eu que fiquei deslumbrado, para falar a verdade. No ano seguinte, em 1994, já foi uma situação diferente, porque fiz uma temporada inteira e percorri todo aquele caminho com os caras, via tudo que acontecia no Brasil. Os jogadores, às vezes, não conseguiam dormir, andar na rua. Era um assédio absurdo. E, obviamente, seres humanos podem escorregar.
– O que aconteceu com eles ocorreria com qualquer grupo. Teve uma outra questão também, técnica e esportiva, que contribuiu diretamente para o declínio dos resultados. Houve um repatriamento dos jogadores, uma ação comercial que trouxe de volta ao Brasil os principais atletas dessa geração. Eles estavam na Itália e vieram jogar em uma Superliga com nível técnico menor. É normal você estar aqui no Brasil e não focar tanto. Houve uma perda técnica, e começou a pipocar um monte de outros problemas: gestão, a questão das lideranças, que não tinham essa experiência. O Zé Roberto era um treinador muito jovem, tinha acabado de ser campeão olímpico, e precisava gerir toda aquela situação de assédio. Nas Olimpíadas de Atlanta, todo mundo se fechou, e nós, por muito pouco, não chegamos a uma semifinal e ganhamos uma medalha, apesar das dificuldades.
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No Abre Aspas, Nalbert reviveu suas primeiras participações em Olimpíadas — Foto: André Durão
Em Sydney, a seleção chega renovada, com nomes como Giba e Dante. Mas também tem jogadores experientes – a exemplo de Tande e Giovane, que voltaram do vôlei de praia para buscar vaga nas Olimpíadas. Você acha que houve um conflito de gerações?
– Depois, a definição dos 12 convocados finais não foi muito clara e transparente. Criou uma instabilidade. Na hora da pressão, da decisão, se você não acreditar naquele trabalho, não se sentir absolutamente merecedor, acaba perdendo. Foi o que aconteceu. A gente passou bem a fase classificatória. Chegou num momento de pressão, que foi o jogo da Argentina (nas quartas de final). Eu estava até assistindo do banco, machucado, com um estiramento nas costas. Acabamos perdendo de forma cruel, para um time que tínhamos vencido umas 25 vezes só naquele ciclo olímpico. Mas outra vez eu falo: acho que ali foi o início do que viria logo em seguida. Tudo foi absorvido, aprendido, e, a partir de 2001, quando o Bernardo chegou, a história foi diferente, porque realmente foi construído algo muito forte, quase indestrutível.
Qual foi a lição que ficou da derrota em Sydney?
– Nunca falei isso publicamente. Depois da queda para a Argentina, cheguei à Vila Olímpica tão arrasado, que saí andando. Tinha um lago, de frente para o Estádio Olímpico. Fiquei umas duas horas ali, sentado, e pensei muito em encerrar minha carreira na seleção. Falei: “Precisamos de time, de um trabalho, de uma mentalidade forte. Não quero mais, da maneira que está não quero mais”.
– Eu tinha um contrato na Itália, e estava praticamente decidido. Mas houve a virada de chave, né? Foi a mudança na comissão técnica, a chegada do Bernardo, tudo o que precisávamos. Ali, eu costumo falar que foi um encaixe, um alinhamento de estrelas. Vi algo parecido pouquíssimas vezes na história do esporte. Quando a gente começou a jogar, as circunstâncias em que ganhávamos tinha muito de tudo pelo que passamos anteriormente, de como duvidavam de nós. Estávamos certos de que era a hora de transformar o nosso valor em resultados.
Como foi o começo da relação com o Bernardinho, um técnico obcecado pelo trabalho? O grupo se assustou com o ritmo?
– Eu estava lá na Itália, decidido a me aposentar da seleção, e aí surgiu a notícia: vai ter mudança na comissão técnica. Falaram que o Bernardinho sairia da equipe feminina e assumiria a masculina. Aquilo mudou tudo para mim. Tocou o meu telefone, e era ele: “Estou assumindo e quero saber de você. Está à disposição?”. Falei: “É óbvio. Marca a data de apresentação e vamos embora.” O Bernardinho teve muita felicidade em manter alguns jogadores, como o Giovane, que resolveu continuar na quadra e foi um cara importantíssimo no processo. O Maurício ficou, e chegaram André Nascimento, Escadinha, Anderson… Formamos um time com muita disposição de trabalhar. Na realidade, nós queríamos provar para todo mundo o nosso valor. Quando alcançamos as finais da Liga Mundial de 2001, vimos o quanto estávamos em forma, voando.
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Na seleção brasileira, Nalbert trabalhou com Bernardinho por muitos anos — Foto: André Durão
O Bernardinho pegava mais no pé de quem?
– Bernardinho é um cara que briga, mas diminui a cobrança se você pede. Ele pegava muito no pé do Anderson, do André Nascimento. Nossa, o Escadinha, meu Deus do céu, cara. Se for botar em números a quantidade de passes e de defesas que ele fez em treinos, são incontáveis. Serginho retrata muito bem o que foi o período de trabalho ali. Todos tiveram uma missão específica. O meu era ser o jogador da transição de gerações, para criar uma mentalidade no time de Atenas muito baseado no que eu tinha vivido como garoto em Atlanta, tanto nos acertos, quanto nos erros.
– Vou contar alguns bastidores. O Mundial era o nosso grande objetivo em 2002. O Brasil nunca tinha sido campeão. Antes, porém, jogamos as finais da Liga Mundial em Belo Horizonte. Quando estávamos no Brasil, era sempre mais difícil concentrar. Tinha assédio, pedidos de ingressos, compromissos com a televisão. Éramos favoritíssimos na Liga Mundial, mas perdemos a final para a Rússia, diante de 25 mil torcedores no Mineirinho. Quando voltamos ao hotel, nos deparamos com um almoço, montado para comemorar o título. O salão tinha que estar lotado, mas só apareceram alguns gatos pingados – basicamente, os familiares dos jogadores. O Giovane nem era capitão do time, mas pegou o microfone: “Pessoal, queria falar com todos. Provavelmente, se nós tivéssemos vencido, aqui estaria cheio. Perdemos, e olha quem está conosco. Então, daqui até o Campeonato Mundial, teremos três semanas, um mês de treinamento. E é dessas pessoas aqui que devemos lembrar, por elas que devemos nos sacrificar”. Todo mundo olhou, bateu palma, se abraçou. Ali, começamos a nos fechar.
– Chegando ao Campeonato Mundial, ocorreu um outro episódio que mostrou a união do grupo. A organização tinha pré-determinado alguns prêmios individuais: 100 mil dólares para o melhor jogador, 50 mil dólares para o melhor bloqueador, prêmios altos em dinheiro. Antes do torneio, já estava com o radar atento, porque os jogadores só falavam sobre premiação. Conversei com Giovane e Bernardinho, precisávamos tomar uma atitude. Chamei todo mundo para uma reunião no quarto. Propus que a gente definisse como regra que, a cada prêmio individual, metade do dinheiro ficaria com quem ganhasse e metade seria dividida entre todos os jogadores. Argumentei, fundamentei. A maioria concordou. Alguns resmungaram, mas, na hora da votação, todos chegaram a um consenso. E olha que orgulho: quando falamos em liderança, falamos de legado. A divisão dos prêmios individuais, criada em 2002, existe até hoje.
– Foi insano. Hoje em dia, falamos tanto de saúde mental. Não sei como minha saúde mental foi preservada depois de tudo o que tive de enfrentar. Mais uma vez, falo do merecimento. Eu me sentia muito merecedor. Não era justo ficar de fora das Olimpíadas. Quando sofri a lesão, na Itália, foram dois dias de luto. Eu achava que iam desistir de mim na seleção. Mas conversei com o Bernardo e com médicos. Eles me disseram que podiam aguardar a minha recuperação. Para mim, a chave virou ali. Cinco minutos depois, já estava arrumando minhas malas, comprando passagem para voltar ao Brasil, para fazer consulta em São Paulo. Era um planejamento minucioso. Tudo precisava sair bem.
– Foram três sessões de fisioterapia por dia, vivia com uma bolsa de gelo para aguentar a próxima sessão. Paralelamente a isso, tinha que treinar perna, não podia deixar enfraquecer. Só fui me juntar ao grupo na reta final da preparação para as Olimpíadas. Eu ainda não estava 100%. Estava 70, 80% no máximo, mas era o suficiente. O resto eu compensei com o coração. Sabia que iria jogar pouco, que a minha função seria diferente, mas me sentia pronto para entregar o que o time precisasse.
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Nalbert no período de recuperação do ombro, antes das Olimpíadas de Atenas — Foto: Arquivo pessoal
Como vocês festejaram esse ouro em Atenas?
– Muita gente pergunta se estávamos nervosos, preocupados, mas digo que o clima era de tranquilidade. Acordamos, tomamos café, batemos papo, fomos para o ônibus normalmente. O favoritismo não pesava. Quando chegamos ao ginásio, bateu aquele climinha mais tenso. O vestiário ficou quieto. Aí tem sempre um maluco que faz alguma coisa. O Giovane foi lá, começou a escrever no quadro: “Isso aí, vamos para dentro”. O Ricardinho virou e falou: “Galera, como é que vocês estão?”. Todos responderam que se sentiam confiantes. Na irreverência dele, disse: “Eu duvido, estou aqui cheio de medo, todo cagado, duvido que vocês não estejam.” Todo mundo começou a rir e ficou mais relaxado. Antes do jogo, gritamos muito. Os italianos olhavam reto, só espiavam de rabo de olho. Eu ali na frente, o Giovane sempre atrás de mim. Virei e falei: “Gigi, ganhamos. Vamos atropelar esses caras, pode ter certeza.”
– Comemoramos o ouro na quadra, no vestiário e fomos para a Vila Olímpica. Depois, partimos para a Cerimônia de Encerramento e já emendamos. Fomos para uma casa noturna lá em Atenas. Estávamos humildes, colocamos as medalhas para dentro da camisa. Tinham vários atletas, incluindo o time de handebol da Alemanha, medalhista de prata. Eles estavam lá, champanhe para tudo quanto é lado, tirando fotos com a medalha no peito. O Escadinha, sacana, nos chamou para ir até os caras. Pedimos para tirar fotos e, de repente, botamos nosso ouro para fora da camisa. Aí começou uma bagunça, com todo mundo chegando para nos tietar. Viramos atrações da casa noturna. Depois, na volta ao Brasil, desfilamos e tivemos vários compromissos com a imprensa. Ao fim disso tudo, eu estava exausto, não só das Olimpíadas, mas de todo o esforço para curar minha lesão e jogar em Atenas.
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Nalbert beija a medalha de ouro conquistada nas Olimpíadas de Atenas — Foto: Reprodução
Por que, poucos meses depois do ouro em Atenas, você decidiu migrar para o vôlei de praia?
– Estava muito realizado e cansado da rotina. Fui criado no vôlei de praia, me identificava com o esporte e precisava de um grande desafio. Parti convicto para a areia. Quando cheguei, vi que o caminho não era tão fácil. Decidi voltar à quadra e acho que foi um erro. Mesmo distante de uma vaga nas Olimpíadas, deveria ter continuado na praia, tentado um novo ciclo. Eu estava jogando bem, entre os primeiros no ranking brasileiro. Mas o meu patrocinador queria um projeto na quadra e me colocou como carro-chefe. Olha que loucura. No processo de voltar à quadra, conversei com Bernardinho sobre seleção e falei que eu ainda não pensava em convocação. Houve situações no passado, de jogadores retornarem da areia direto para a seleção, que não achei corretas. Disse a ele: “Se você julgar que é o momento de me convocar, estarei à disposição. Mas, primeiro, quero jogar”. Fui para o Modena, da Itália, voltei ao Brasil, e o projeto do patrocinador não foi para frente. Acabei indo para o Minas, e o Bernardo me convocou.

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