Salários elevados, torcidas apaixonadas, boas estruturas e presença na Champions ajudam a explicar chegada de jogadores de peso à Süper Lig
Por Gustavo Garcia — Rio de Janeiro
A Turquia se transformou em um dos principais destinos de grandes nomes do futebol internacional nesta janela de transferências. Mohamed Salah, Rafael Leão, Fabinho e Romelu Lukaku estão entre as estrelas que desembarcaram no país, que já contava com jogadores como Victor Osimhen, N’Golo Kanté e Gabriel Sara.
Salah trocou o Liverpool pelo Trabzonspor, Fabinho também deixou o Al-Ittihad e fechou com o Trabzonspor, enquanto Rafael Leão deixou o Milan para defender o Galatasaray. Lukaku acertou com o Fenerbahçe, e Leandro Trossard, ex-Arsenal, passou a defender o Besiktas.
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Salah comemora em Trabzonspor x Başakşehir — Foto: Divulgação/Trabzonspor
A lista ajuda a dimensionar um movimento que vai além de uma contratação isolada. Nos últimos anos, a Turquia aumentou sua capacidade de atrair jogadores conhecidos internacionalmente e passou a disputar nomes que poderiam permanecer nas principais ligas da Europa ou buscar mercados com grande poder financeiro, como o da Arábia Saudita.
Dinheiro pesa, mas não explica tudo
A capacidade financeira dos principais clubes é uma das respostas. Salários elevados e projetos ambiciosos permitem que equipes turcas apresentem propostas competitivas para jogadores acostumados à elite europeia.
O dinheiro, porém, é apenas uma parte da equação. A qualidade de vida oferecida pelo país também aparece como um atrativo. É o que destaca o brasileiro Paulo Victor, ex-Flamengo, do Alanyaspor.
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Paulo Victor em ação durante a partida entre Alanyaspor e Galatasaray — Foto: Arife Karakum/Anadolu via Getty Images
– Acredito que a qualidade de vida também pesa na decisão de vir para cá. São cidades muito boas de se morar, algumas lembram até o Brasil, como é o caso aqui de Alanya. Minha família e eu gostamos muito daqui e a decisão de vir e de renovar também passa por essa questão além do campo.
André Henrique, ex-Grêmio, do Göztepe, vê o crescimento recente da própria Süper Lig como outro fator para explicar a chegada das estrelas.
– A Süper Lig hoje conta com vários jogadores de nome e que fizeram história em clubes gigantes da Europa. Creio que o que atraiu eles e outros atletas é que a liga vem ganhando força nos últimos anos e crescendo constantemente. Isso prova o porquê de eles estarem vindo para o futebol turco.
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Gabriel Sara com a camisa do Galatasaray — Foto: Getty Images
Para Gabriel Sara, ex-São Paulo, a possibilidade de disputar a Champions League foi determinante na decisão de atuar no futebol turco. O meio-campista destacou o nível competitivo encontrado no país e acredita que a experiência no principal torneio de clubes da Europa também teve peso em sua chegada à seleção brasileira.
– O que me atraiu, num primeiro momento, foi a oportunidade de disputrar a Champios League por um time competitivo. E sou muito feliz por ter vivido essa experiência, e tenho certeza que foi um fator importante para me levar à Seleção – Gabriel Sara.
Paixão que vem das arquibancadas
Outro componente importante está nas arquibancadas. Galatasaray, Fenerbahçe e Besiktas são conhecidos pela pressão exercida por suas torcidas, mas a cultura de estádios intensos não fica restrita aos três gigantes de Istambul. Para Paulo Victor, jogar diante desse ambiente também funciona como atrativo para quem chega ao país.
– Com certeza pesa. Todo jogador gosta de estádio cheio, pressão, adrenalina. O futebol turco é rico disso, as torcidas são extremamente dedicadas e apaixonadas pelos clubes, até mesmo os de menor expressão. Me surpreendeu essa dedicação, esse amor, é bonito de ver.
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André Henrique pelo Goztepe — Foto: Divulgação Goztepe
André Henrique teve percepção semelhante desde que chegou ao Göztepe.
Gabriel Sara também destacou a paixão das torcidas como um dos diferenciais do futebol turco. O meio-campista afirmou que nunca havia experimentado uma atmosfera semelhante e ressaltou como o futebol faz parte do cotidiano do país.
– Isso aqui é uma loucura, é inexplicável o amor e a entrega do povo turco para suas equipes. A rivalidade é surreal, o carinho e reconhecimento também. Nunca tinha vivido experiência assim, até porque eu me firmo no São Paulo durante a pandemia. O país respira futebol, a paixão está nas ruas da cidade. É uma loucura, mas uma loucura boa – disse Sara.
Estruturas de primeiro nível
Os grandes investimentos também aparecem fora das quatro linhas. Os principais clubes contam com centros de treinamento capazes de oferecer aos jogadores estruturas semelhantes às encontradas nas grandes ligas europeias.
O Galatasaray, por exemplo, utiliza o moderno centro de treinamento de Kemerburgaz. O complexo conta com campos de grama natural, academia, áreas de fisioterapia, spa, piscinas de recuperação, salas de análise e estrutura para jogadores e comissão técnica.
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Muitos sinalizadores na festa por Salah em Trebizonda — Foto: Divulgação/Trabzonspor
O Besiktas também possui um amplo centro de treinamento. O complexo Nevzat Demir ocupa uma área de 145 mil metros quadrados e conta com quatro campos de grama, instalações para a equipe profissional e categorias de base, além de centro de imprensa.
Champions também pesa
O crescimento turco ganhou outro componente nesta temporada: a Champions League. Galatasaray e Fenerbahçe estão entre os participantes da fase de liga da competição em 2026/27.
A possibilidade de continuar disputando o principal torneio de clubes da Europa ajuda a Turquia a oferecer algo que mercados financeiramente poderosos fora do continente não conseguem: salários competitivos aliados à exposição no mais alto nível do futebol europeu.
André Henrique acredita que a presença nas competições continentais é parte importante do projeto dos clubes.
Veja alguns nomes que jogam atualmente na Turquia
- Mohamed Salah — Trabzonspor
- Fabinho — Trabzonspor
- Rafael Leão — Galatasaray
- Romelu Lukaku — Fenerbahçe
- Victor Osimhen — Galatasaray
- N’Golo Kanté — Fenerbahçe
- Leandro Trossard — Besiktas
- Gabriel Sara — Galatasaray
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Lukaku comemora gol da Bélgica contra os Estados Unidos — Foto: REUTERS
A chegada de atletas ainda relevantes no cenário internacional, alguns deles diretamente de clubes das principais ligas europeias, mostra uma tentativa dos gigantes turcos de aumentar também sua força fora do país.
– O futebol aqui na Turquia é um esporte muito relevante, então todos querem ver os clubes daqui no topo. Sinto que há essa ambição, mas que não é nada fácil por conta da tradição das demais ligas na Champions – afirma Paulo Victor.





