Vice-ministro de Política Criminal do Paraguai renuncia por causa de suspeita de corrupção

O vice-ministro de Política Criminal do Paraguai, Hugo Volpe, renunciou por causa de suspeitas de corrupção. O anúncio da demissão acontece no dia seguinte à fuga de 76 presos de uma facção criminosa brasileira.

De acordo com o “ABC Color”, uma investigação feita por autoridades brasileiras apontam indícios de que fiscais e representantes do ministério público paraguaio estariam envolvidos em um esquema de corrupção. Não está claro se o esquema estaria relacionado com a fuga de domingo (19).

A fiscal geral do estado do Paraguai, Sandra Quiñónez, que um esquema de corrupção está sendo investigado conjuntamente com o Brasil. Segundo relato do jornal, o ordem o presidente Mario Abdo Benitez é dar prosseguimento às investigações e chegar a todos os elementos que levem ao esclarecimento da situação.

No domingo, a Procuradoria do Paraguai pediu a prisão do diretor de presídio regional de Pedro Juan Caballero e de 30 agentes penitenciários após a fuga em massa. A imprensa paraguaia afirmou que eles foram presos. De acordo com o Bom Dia Brasil, eles prestaram depoimento nessa manhã de segunda-feira.

As autoridades paraguaias investigam se houve uma rede de corrupção que facilitou a fuga dos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A fuga

A prisão fica na fronteira com a cidade brasileira de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, o que levou autoridades brasileiras a montar um bloqueio na região. Um brasileiro foragido de 30 anos foi recapturado em Mato Grosso do Sul. O Departamento de Operações da Fronteira (DOF), no Brasil, informou que ele é de Imperatriz (MA) e cumpria pena no presídio regional por tráfico de drogas há quatro anos.

Uma lista de foragidos brasileiros e paraguaios foi divulgada pelo Ministério da Justiça do Paraguai. Entre eles, estão o brasileiro Timóteo Ferreira, apontado como líder da facção dentro do presídio, e seis supostos integrantes do grupo de matadores de aluguel “Minotauro”, ligado ao narcotráfico. Eles atuam na fronteira e na semana passada buscavam deixar a prisão com uma ordem judicial.

Entre os fugitivos, 40 são brasileiros e 36 são paraguaios. O Ministério Público do Paraguai informou que vídeos das câmeras de segurança do presídio mostram uma movimentação intensa desde as 4h do domingo. Para a procuradora Reinalda Palacios, é impressionante que os guardas não tenham agido diante das imagens que tinham à disposição.

A maior parte dos presos estava em um piso superior e um grupo estava no térreo, onde o túnel foi cavado. Para ter acesso ao piso inferior, os detentos devem passar por um portão, que deve permanecer trancado.

O que chamou a atenção dos promotores foi que esse portão estava trancado no momento em que Ministério Público foi visitar o local após a fuga.

No domingo de manhã, a ministra da Justiça do Paraguai, Cecilia Perez, informou que 91 presos conseguiram escapar da prisão por volta das 4h (3h, em Ponta Porã) e disse que eles são integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Mais tarde, Reinalda Palacios declarou que o número de fugitivos foi atualizado para 75, de acordo com o jornal “ABC Color”.

Por fim, em uma entrevista coletiva, na tarde deste domingo, Perez afirmou que 76 deixaram a prisão.

Crise na segurança

Ainda no domingo, a ministra da Justiça afirmou que sua pasta denunciou ao Ministério Público um suposto plano de fuga e pagamento de 80 mil dólares (mais de R$ 330 mil) por parte de integrantes da facção criminosa para os funcionários da prisão regional de Pedro Juan Caballero, de acordo com o jornal “La Nación”.

“É um trabalho que levou dias e é impossível que as autoridades não percebessem que estava para acontecer… obviamente esse era um plano adquirido”, disse Pérez à estação de rádio Monumental.

A ministra da Justiça chegou a colocar o cargo à disposição. Porém, de acordo com o jornal “ABC Color”, o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, não aceitou o pedido.