Uso da ciência e tecnologia devem contribuir no enfrentamento às arboviroses e de novas epidemias

A instituição e fortalecimento das parcerias e o emprego da ciência e tecnologia para o controle das Arboviroses devem ser consideradas ferramentas estratégicas diante dos impactos clínicos e econômicos provocados pelas epidemias registradas sazonalmente em Mato Grosso do Sul, em especial em Campo Grande, o que é motivo de preocupação para a saúde pública. Estes e outros temas estão sendo debatidos durante o seminário “Atualização em Manejo Clínico da dengue e febre do Chikungunya e no controle vetorial do Aedes Aegypti”, que acontece no auditório da Escola de Saúde Pública (ESP-MS).

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante abertura do seminário. (Foto: Secreta Nantes).

A abertura,  realizada na manhã desta segunda-feira (15), contou com  a presença do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, da presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade Lima, dos secretários municipal e estadual de saúde, entre outras autoridades.

Campo Grande está entre  os municípios escolhidos para participar de um projeto criado pelo pesquisador da Fiocruz e líder do World Mosquito Program (WMP) no Brasil, Luciano Moreira, que utiliza mosquitos geneticamente modificados para fazer o controle da dengue, zika e chikunguya. O estudo com o mosquito infectado com a bactéria Wolbachia vem sendo conduzido há alguns anos no país, com resultados positivos. Além da Capital, os municípios de Belo Horizonte (BH) e Petrolina (PE) também devem receber o projeto.

Segundo o pesquisador, os experimentos tiveram início em 2005, durante pesquisa realizada na Austrália, onde foi introduzida a bactéria no ovo do mosquito Aedes aegypti e, a partir de então, constatada a redução da população de mosquitos infectados com dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

O  pesquisador explica que o mosquito é criado em laboratório e, posteriormente, liberado na natureza. Eles passam a se procriar transmitindo a bactéria o que, consequentemente, inibe a infecção e transmissão das doenças pelos demais. O ciclo do mosquito seria autossustentável não exigindo a reintrodução de novos insetos na natureza. Cerca de 16 semanas, os mosquitos com a bactéria vão cruzando com os mosquitos da natureza, passando a bactéria, e no final a população dos mosquitos não vão transmitir ou vai reduzir muito essa capacidade de infeção auto sustentável.

No Brasil, os experimentos começaram a ser feitos no município de Niteroí, no Rio de Janeiro,  sendo o projeto piloto com população de até 3 mil pessoas.

A introdução do mosquito geneticamente modificado em Campo Grande ainda está em fase de discussão, porém a previsão é de que as fases iniciais sejam estabelecidas ainda no segundo semestre deste ano.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, destaca que apesar dos investimentos na implantação e desenvolvimento de novas tecnologias, os municípios devem fortalecer as estratégias de enfrentamento.

“Hoje, Campo Grande, Dourados e Três Lagoas enfrentam epidemias da dengue.A história nos mostra que temos tido mais derrotas do que vitórias, por isso que é extremamente necessário se mudar as metodologias que ai estão, apostando na tecnologia e buscando alternativas mais viáveis e efetivas. Mas tudo isso ainda não substituí o trabalho que deve ser intensificado”, disse.

Panorama da Dengue

O Coordenador do Programa Nacional de Controle e Prevenção da Malária e das Doenças  do Ministério da Saúde, Rodrigo Said, apresentou um panorama atual do país com relação as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

O Levantamento de índice de amostral Rápido, realizado de janeiro a março de 2019 em 5.214 municípios, revela um cenário preocupante. Conforme o relatório 45% dos municípios em estado de alerta e 20% em risco de epidemia.

Segundo o coordenador, Mato Grosso do Sul é o terceiro estado com maior número de incidência de casos prováveis de dengue no país.  Até a semana 13,  Campo Grande registrou 5.656 casos prováveis de dengue, considerando os dados Sistema Nacional de Vigilância (SINAN). Em 84% das amostras colhidas foi identificado o sorotipo II da dengue.

“Essa é uma explicação lógica e para o aumento dos casos registrados até o momento. Faz mais de 10 anos que o vírus circulou aqui no Estado o que por sua vez faz com que mais casos surjam na medida em que ele retorna, considerando que  uma grande parcela da população, principalmente crianças não está imunologicamente protegida”, disse.

A presidente da Fiocruz, Nisia Trindade Lima, destacou a importância da parceria e a articulação com os estados e municípios nas ações de Vigilância em Saúde, sendo tal estratégia fundamental no enfrentamento às arboviroses.

“O acompanhamento das ações de controle do mosquito Aedes aegypti e das arboviroses  é fundamental, observando a integralidade e sincronia com o Sistema Único de Saúde (SUS). Precisamos reforçar essa necessidade de estabelecermos uma visão de que ciência, tecnologia e inovação precisam caminhar juntas com as ações da vigilância, que devem ser feitas de forma integrada com a Atenção Primária. Todas as ações que estamos discutindo existe a necessidade de se estabelecer políticas intersetoriais. Estamos caminhando para fazer do Brasil um grande laboratório que pode dar exemplo ao mundo se mantivermos essa visão da importância dos investimento de ciência, tecnologia e inovação em saúde para garantir os benefícios à população”, completou.

O secretário municipal de Saúde, José Mauro Filho, lembrou que o município de Campo Grande convive com a dengue desde de 1986, quando foi isolado pela primeira vez o vírus sorotipo 1. Dez anos depois se identificou o sorotipo 2, que foi responsável pela epidemia de 2002 e agora também é responsável pela epidemia de 2019.

“Ao longo deste período o município passou por várias epidemias que causam um forte impacto na rede de assistência em saúde. Como gestores entendemos que é necessária uma organização, fortalecendo a articulação das áreas. Uma das novas estratégias é fortalecer as parcerias  e avaliar novas tecnologias para o combate ao vetor.  Esse é um processo que está sendo construído a quatro mãos que vai render frutos a médio e longo prazo”, disse.

Homenagem

Durante a abertura do evento, a Agente de Combate às Endemias, Mariane Ortiz Adriano, recebeu um arranjo de flores  das mãos do ministro da Saúde, Luiz Henrique Manderra, em forma de homenagem a todos os servidores da saúde.

O ministro fez questão de ressaltar a importância dos servidores da saúde enaltecendo o trabalho técnico, responsável por manter o serviço mesmo diante de todas as dificuldades, seja financeira ou estrutural.

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