Um novo muro emerge na América Latina

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, abandona de vez os planos para a construção de um muro na fronteira entre EUA e México, a ideia de uma barreira divisora de países ainda persiste na América Latina.

Eleito presidente da República Dominicana em julho, Luis Abinader assegurou ao Congresso que no segundo semestre começará a erguer uma cerca ao longo da fronteira de 380 quilômetros com o vizinho Haiti.

Entre os objetivos enumerados pelo presidente dominicano, os principais são frear em dois anos a imigração ilegal e o tráfico de drogas e de veículos roubados.

Patrulhar a fronteira demanda 7 mil soldados e cerca de 800 integrantes de uma força especial. Por isso, Abinader defende uma cerca dupla nos pontos mais vulneráveis da fronteira, dotada de sistemas de raios infravermelhos e câmeras de reconhecimento facial.

A República Dominicana divide com o Haiti a ilha de Hispaniola, a segunda maior das Antilhas, conhecida também como São Domingos. Historicamente, a convivência entre os dois países nunca foi fácil. Nas últimas décadas, vem sendo marcada de um lado pelo fluxo migratório de haitianos e, de outro, por arroubos de xenofobia por parte dos dominicanos.

País mais pobre da América Latina, o Haiti é o segundo destino comercial da República Dominicana, mas enfrenta várias crises simultâneas. Atualmente tem dois presidentes: Jovenel Moise, no poder há quatro anos, e Joseph Mécène, respaldado pela oposição, mas ignorado pela comunidade internacional.