Fluxo de navios na principal rota do comércio global de petróleo caiu expressivamente após o início da guerra no Oriente Médio, elevando os preços e ampliando a preocupação do republicano.
Por André Catto, g1 — São Paulo
O presidente Donald Trump afirmou neste sábado (14) que os Estados Unidos “dizimaram completamente o Irã” e pediu que outros países “cuidem” do Estreito de Ormuz, principal rota do comércio global de petróleo.
“Os Estados Unidos derrotaram e dizimaram completamente o Irã, militarmente, economicamente e de todas as outras formas, mas os países do mundo que recebem petróleo pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem, e nós ajudaremos — MUITO!”, escreveu ele na Truth Social.
O embate fez o preço do barril de petróleo disparar no mercado internacional e atingir US$ 120, o maior valor desde 2022. Depois, recuou, mas segue na casa dos US$ 100 — ainda em nível bastante elevado.
- Conforme mostrou o g1, a alta nos preços de energia desagrada o eleitorado dos EUA e pode azedar a disputa legislativa para o partido de Trump em novembro deste ano, quando os americanos vão às urnas para eleger governadores, deputados e senadores.
Em outra publicação nas redes sociais, o republicano afirmou que muitos países enviarão navios de guerra, em conjunto com os EUA, para manter o estreito aberto e seguro — sem citar quais. Ele também cobrou apoio de China, Reino Unido e outras economias afetadas.

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Ataques a navios
A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã provocou tensão em todo o Oriente Médio, mas afetou especialmente a principal rota marítima de exportação de petróleo do mundo.
Desde o início da ofensiva, em 28 de fevereiro, ao menos 13 ataques foram registrados ao redor do Estreito de Ormuz, segundo a agência marítima britânica UK Maritime Trade Operations.
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Os ataques a navios no Estreito de Ormuz — Foto: Kayan Albertin / Arte g1
O Estreito de Ormuz
Localizada entre Omã e o Irã, a passagem responde pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo e serve de rota para navios que partem da região produtora rumo à Ásia, à Europa e às Américas.
A história do Estreito de Ormuz é marcada por sua importância como corredor comercial e, mais recentemente, como ponto estratégico para a energia mundial.
Desde a Antiguidade, a passagem conectava a Pérsia, a Mesopotâmia e a Índia ao Oceano Índico. Nos séculos 16 e 17, potências europeias disputaram o controle da região para proteger suas rotas marítimas.
Já no século 20, a descoberta de grandes reservas de petróleo no Golfo Pérsico ampliou a relevância do estreito. Após a Segunda Guerra Mundial, ele se consolidou como uma via essencial para o transporte de petróleo do Oriente Médio para outros continentes.
Durante a guerra entre Irã e Iraque (1980–1988), navios petroleiros foram atacados, e os EUA passaram a escoltar embarcações na região.
Desde então, o estreito se tornou um dos principais focos de tensão geopolítica. O Irã já ameaçou fechá-lo em resposta a sanções e conflitos com os EUA e Israel, embora nunca tenha interrompido a navegação por longos períodos.
Atualmente, uma fatia expressiva do petróleo consumido no mundo passa por Ormuz, assim como grande parte do gás exportado pelo Catar. Por isso, qualquer conflito na região tende a impactar os preços da energia e os mercados globais.


