Trump alerta Irã sobre violência contra manifestantes, mas deixa porta aberta para diálogos

WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu novamente neste domingo para o Irã minimizar ações violentas contra manifestantes que protestam contra a derrubada de um avião civil na República Islâmica, ao mesmo tempo em que seu secretário de Defesa deixou a porta aberta para conversas com o Irã, sem precondições.

“Aos líderes do Irã: NÃO MATEM SEUS MANIFESTANTES”, escreveu o presidente em sua conta no Twitter, alertando ao mundo que “os Estados Unidos estão observando”.

No sábado, a polícia iraniana dispersou manifestações estudantis na capital em homenagem às 176 mortas na quarta-feira, quando o Exército derrubou “por erro humano” um avião comercial de uma companhia aérea ucraniana. Manifestantes também se reuniram neste domingo, apesar de operações policiais para reprimir novos protestos.

Desde o final de outubro, dezenas de foguetes foram lançados contra bases iraquianas usadas pelos soldados americanos. Em um desses ataques, um funcionário terceirizado americano morreu em 27 de dezembro, e Washington acusou facções iraquianas xiitas pró-Irã. Em retaliação, em 29 de dezembro, os Estados Unidos bombardearam bases na fronteira com a Síria e mataram 25 combatentes das Forças de Mobilização Popular (FMP) uma coalizão de paramilitares pró-Irã que faz parte do Exército iraquiano.

Após esse movimento, a escalada atingiu um nível sem precedentes, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani num ataque com drone perto do aeroporto de Bagdá, em 3 de janeiro. Soleimani era o comandante das Forças Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana que coordena ações de milícias pró-Irã em países como Síria e Iraque. Na operação também foi morto o número dois das FMP, Abu Mehdi al Muhandis. O Irã respondeu em 8 de janeiro disparando 22 mísseis contra as bases iraquianas de Ain al Asad e Irbil, que abrigam tropas americanas, sem causar vítimas.

Apesar das tensões, em uma entrevista à emissora americana CBS exibida antes do tuíte de Trump, o secretário de Defesa americano, Mark Esper, afirmou neste domingo que o presidente ainda está disposto a dialogar com os líderes iranianos.

— Estamos dispostos a nos sentar e discutir sem condições prévias uma nova via, uma série de medidas que tornarão o Irã um país mais normal — disse o chefe do Pentágono.

Acordo nuclear

No contexto das tensões, líderes de FrançaReinoUnido e Alemanhaenviaram neste domingo uma “mensagem clara” a Teerã, afirmando que estão “prontos para dialogar”, com objetivo de preservar a paz e a estabilidade da região.

Os três países europeus assinaram em 2015, juntamente com os EUA, China e Rússia, o acordo com o Irã sobre seu programa nuclear. Os EUA abandonaram o acordo unilateralmente em 2018.

“Instamos o Irã a suspender todas as medidas incompatíveis com o acordo; pedimos ao Irã que se abstenha de qualquer nova ação violenta ou de proliferação; e continuamos prontos para dialogar com o Irã nesta base para preservar a estabilidade da região”, afirmaram os três governos europeus em uma declaração conjunta.

Recentemente, Trump instou os europeus a abandonarem o acordo e fortalecerem seus esforços militares no Oriente Médio. No entanto, Paris, Londres e Berlim optaram por reafirmar adesão ao pacto, apesar de considerarem “essencial que o Irã volte ao pleno respeito por suas obrigações com o acordo”.

No comunicado, os governos destacaram sua “prontidão” para agir “em favor da desescalada e da estabilidade na região”, pedindo também a definição de “um marco de longo prazo para o programa nuclear do Irã”.

Os europeus alertaram nos últimos dias que poderiam decidir ativar um mecanismo de solução de controvérsias previsto no acordo nuclear que, no longo prazo, poderia levar ao restabelecimento de sanções pelo Conselho de Segurança da ONU se o Irã não respeitasse seus compromissos.

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