Tribunal decide que jovem que matou 2 em protesto antirracista nos EUA agiu em legítima defesa

O tribunal do júri decidiu, nesta sexta-feira (19), que o jovem que matou duas pessoas durante um protesto contra o racismo em Kenosha, nos Estados Unidos, agiu em legítima defesa e, portanto, não é culpado da acusação de assassinato.

Kyle Rittenhouse, de 18 anos, matou Joseph Rosembaum e Anthony Huber durante uma das várias manifestações antirracistas na cidade em agosto do ano passado, quando tinha 17 anos.

Os atos ocorriam em repúdio ao caso Jacob Blake, homem negro baleado por um policial branco durante abordagem em Kenosha.

Uma terceira pessoa foi baleada pelo então adolescente, mas foi levada ao hospital e sobreviveu. A ação foi toda registrada em vídeo.

A defesa do acusado dizia que ele atirou “em legítima defesa”. Ele corria o risco de pegar prisão perpétua, caso o júri – que tomou mais de três dias para deliberar o veredito – decidisse que ele agiu com dolo.

Rittenhouse respondia por homicídio, por colocar outras pessoas em risco e por ser, na época do crime, um menor de idade em posse de arma de fogo — a lei de Wisconsin impede que menores carreguem armamento.

Os pais de Huber, um dos assassinados, disseram em um comunicado que estavam “com o coração partido” e que o veredito “envia uma mensagem inaceitável de que civis armados podem incitar a violência matar pessoas”.

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Manifestantes protestam contra brutalidade policial em Kenosha, Wisconsin, neste sábado (29) — Foto: Morry Gash/AP Photo

Manifestantes protestam contra brutalidade policial em Kenosha, Wisconsin, neste sábado (29) — Foto: Morry Gash/AP Photo

A violência aumentou em Kenosha e outras parte dos EUA principalmente depois que ativistas pró-polícia — inclusive milícias armadas — entraram em choque com os manifestantes que protestavam contra a violência racista policial.

O ano de 2020 foi marcado nos EUA por protestos volumosos contra o racismo após diversos casos de violência policial motivadas por raça virem à tona.