Com regras rígidas, torneio atrai cada vez mais público e supera seis milhões de seguidores; saiba quem é Zuluzinho, de 1,98m e 160kg, brasileiro que encarou e bateu lenda russa da modalidade
Por Emilio Botta — São Paulo
“Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também”. A citação bíblica é colocada fielmente em prática no “Slap the face” ou “Tapa na Cara”, um esporte no mínimo inusitado que tem atraído cada vez mais fãs e adeptos ao redor do mundo.
O que antes era visto apenas como um ato de violência ou insulto, agora tem ganhado status de esporte. Sim, há atletas que treinam e vivem apenas do ato de golpear a face do adversário.
Mas é preciso ter calma para analisar a nova modalidade: regras rígidas, atletas federados e muito respeito norteiam o esporte que busca vencer o preconceito para se consolidar como alternativa a atletas amadores ou profissionais sem espaço em outras categorias esportivas que usam a força.
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Luta de Tapa na Cara entre Zuluzinho e Vasily Kamotsky — Foto: Reprodução
Criado na Rússia e com mais adeptos e competições no exterior, o Tapa na Cara busca espaço no Brasil por meio de Zuluzinho, brasileiro de 46 anos considerado o pioneiro no esporte e que foi campeão mundial em 2020.
Filho do Rei Zulu, ícone do MMA no Brasil, Wagner da Conceição Martins, o Zuluzinho, seguia os passos do pai até receber o convite para participar de um evento até então desconhecido. Foi na Rússia que ele chocou o mundo ao rir depois de levar seguidos tapas do lutador mais temido do Tapa na Cara: Vasily Kamotsky, russo de 160kg e dono de uma mão pesada.
– Estava em um evento de MMA na Rússia e me convidaram. Fui e não sabia que ia encarar de início o campeão mundial, o cara que estava no auge, top dos tops do tapa na cara. Onde ele metia a mão, nocauteava os adversários. Ali é sorte, bateu, caiu ou vai pro saco, como a gente fala.
– No primeiro tapa achei que ia desistir, correr para casa, estava nervoso. Mas quando eu dei o primeiro tapa, comecei a sorrir e o pessoal do evento ficou espantado. Primeira vez e o cara está sorrindo com um tapa? Foram cinco tapas, quando fui dar o quinto tapa a minha tradutora falou que se eu desse o tapa errado, ia ser desclassificado, por isso que dei ele muito mais fraco, porque estava ganhando a competição. Na verdade, eles deram empate no evento, só que depois fui campeão. Me deram o título como um dos campeões mundiais por ter encarado o campeão atual – relembra e explica Zuluzinho.




