Sem poder de fogo, seleção feminina sofre para impor favoritismo contra frágil Porto Rico; análise

Por Allan Caldas — San Diego, EUA

A estreia na Copa Ouro Feminina da Concacaf, contra a frágil seleção de Porto Rico, número 103 do ranking da Fifa, reforçou duas dificuldades que estão se tornando crônicas na seleção brasileira: o esforço para impor seu favoritismo e a falta de poder de conclusão da equipe. Mesmo pressionando desde o início, o Brasil só chegou à vitória por 1 a 0 aos 35 minutos do segundo tempo, graças a um gol de uma centroavante típica, a camisa 9 Gabi Nunes.

Gabi Nunes (à direita) marca o gol do Brasil na vitória sobre Porto Rico — Foto: SEAN M. HAFFEY / AFP

Gabi Nunes (à direita) marca o gol do Brasil na vitória sobre Porto Rico — Foto: SEAN M. HAFFEY / AFP

Ver o Brasil lutando para superar a retranca de uma equipe caribenha inevitavelmente remete à última grande decepção da seleção: o empate em 0 a 0 com a Jamaica, que custou a eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo Feminina, ano passado. Na busca por explicações para o fracasso, as principais conclusões foram de que a então técnica Pia Sundhage demorou a mexer no time, mas as jogadoras em campo também não escaparam de críticas por terem sucumbido diante de uma rival nitidamente inferior tecnicamente.

Em seus quatro anos à frente da seleção brasileira, Pia abriu mão de jogar com uma referência na área, uma típica camisa 9, preferindo uma formação com mais mobilidade. Seu substituto, Arthur Elias, está usando a Copa Ouro para fazer observações, de olho nos Jogos Olímpicos de Paris, no meio do ano. Mas tanto neste primeiro jogo de competição como nos cinco amistosos em 2023, o novo treinador viu o Brasil encontrar dificuldades nas ações ofensivas. Muitas vezes usando uma linha de ataque sem centroavante fixa.

Contra Porto Rico, o Brasil sentiu falta justamente dessa jogadora de área, capaz de transformar domínio pleno em gol. Um problema que vem dos tempos da treinadora sueca e parece continuar assombrando a equipe.

Pelo menos na madrugada desta quinta, Arthur não demorou tanto a reagir. Depois de assistir por 70 minutos a um ataque pouquíssimo efetivo, formado por Debinha e Bia Zaneratto, o treinador lançou de uma só vez duas atacantes de área, Geyse e Gabi Nunes, aos 25 do segundo tempo, nas vagas de Bia e da meia Ary Borges.

O Brasil continuou sufocando Porto Rico e conseguiu, enfim, o gol da vitória: Adriana foi ao fundo na direita e cruzou para Gabi Nunes marcar na pequena área. Um gol típico de centroavante. A atacante do Levante, da Espanha, confirmou a ótima fase: chegou a cinco gols nos últimos nove jogos. Mesmo sem ser titular em oito deles – sete pelo clube e este pelo Brasil.