Programa Future-se causará prejuízos no ensino, extensão e pesquisa, avalia Kemp

Lançado no mês de julho pelo Ministério da Educação, o programa Future-se pretende reestruturar o financiamento de institutos e universidades federais. O objetivo é que as instituições operem para captar suas receitas próprias, por meio de contratos com organizações sociais, dentro de alguns modelos de negócios privados. Presidente da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa, o deputado Pedro Kemp (PT) usou a tribuna na sessão desta quinta-feira (26), para falar dos impactos deste projeto do Governo Federal.

“Participei de uma audiência pública para debater o programa junto à comunidade acadêmica. A conclusão é um verdadeiro retrocesso ao ensino, extensão e pesquisa. É um projeto que entrega a universidade aos interesses de mercado e acaba com a autonomia universitária, ferindo o princípio constitucional. Até agora 24 universidades já se posicionaram contra e, esperamos que a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul também”, afirmou.

Kemp ressaltou a lógica administrativa de uma universidade pública, voltada para o desenvolvimento social. “Ao ser implementado este programa, a lógica será outra, a do interesse particular. Ao colocar uma empresa privada dentro da universidade, o objetivo principal será o de obter lucros. É o fim da carreira universitária”. Para o deputado, o Governo Federal está diminuindo a importância das ciências sociais no contexto da formação dos cidadãos.

O modelo proposto, conforme Kemp, visa acabar com a capacidade de universalização do conhecimento e transformação social. O 1º secretário, deputado Zé Teixeira (DEM), avaliou positivamente a nova proposta do Ministério da Educação. “A gestão das universidades durante anos foi desastrosa. Acredito que esse programa abre espaço para quem de fato sabe gerir”.