Procurador-geral dos EUA William Barr irá deixar o cargo, anuncia Donald Trump

O procurador-geral dos EUA, William Barr, irá deixar o cargo até o dia 25 de dezembro, anunciou nesta segunda-feira (14) presidente Donald Trump. A posição será assumida interinamente pelo vice-procurador-geral, Jeff Rosen.

O anúncio foi feito através do Twitter.

“Acabo de ter uma reunião muito agradável com o procurador-geral Bill Barr na Casa Branca. Nosso relacionamento tem sido muito bom, ele tem feito um excelente trabalho! De acordo com sua carta, Bill partirá um pouco antes do Natal para passar os feriados com sua família…”, escreveu o presidente.

“O procurador-geral adjunto Jeff Rosen, uma pessoa notável, será o procurador-geral interino. O altamente respeitado Richard Donoghue assumirá as funções de procurador-geral adjunto. Obrigado a todos!”, acrescentou.

Na carta citada pelo presidente, Barr também elogia o que chamou de histórico de Trump, dizendo que ele ajudou a impulsionar a economia, fortalecer os militares e conter a imigração ilegal.

Barr, que tem atribuições semelhantes a de um ministro de Justiça, entrou em discordância com Trump mais de uma vez durante seu período no cargo, a mais recente delas no início de dezembro, quando disse que não há qualquer indício de fraude capaz de mudar o resultado das eleições presidenciais de novembro, vencidas pelo democrata Joe Biden.

“Até agora, não vimos fraude em uma escala que poderia ter dado um resultado diferente na eleição”, disse Barr em entrevista à agência Associated Press, no dia 1º.

William Barr estava no cargo desde que foi aprovado pelo Senado em fevereiro de 2019 e assumiu a vaga deixada por Jeff Sessions. “Ele [Barr] era a minha opção desde o primeiro dia, respeitado pelos republicanos e pelos democratas”, declarou Trump à época da nomeação.

Rússia

 

Em novembro de 2018, o ex-procurador-geral Jeff Sessions pediu demissão do cargo a pedido do presidente após a relação entre os dois piorar. Sessions havia deixado a investigação sobre o conluio com a Rússia ao se declarar impedido – o que irritou Trump.

Ainda em 2019, Barr inocentou o presidente, ao afirmar em uma declaração pública que “o presidente Donald Trump não agiu em conluio com os russos para tentar interferir nas eleições de 2016 e não obstruiu a Justiça”.

Barr se pronunciou antes de enviar um relatório de 400 páginas, resultado da investigação do relator Robert Mueller sobre o papel da Rússia na eleição de 2016 nos Estados Unidos e uma suposta obstrução de Justiça por parte de Donald Trump.