Levantamentos indicam ainda que episódio foi um dos maiores eventos de mobilização digital da história recente do país
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Apesar da forte mobilização nas redes sociais dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro após suas prisão, o vídeo que mostra a tentativa de violação da tornozeleira acabou atrapalhando a narrativa do grupo. Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque mostra que a tentativa de vitimização de Bolsonaro foi abalada pela dificuldade de apresentar uma explicação concisa para a ação de queimar o equipamento de monitoramento. Análises indicam ainda que acontecimento foi um dos maiores eventos de mobilização digital da história recente do país.
“A divulgação do vídeo da tornozeleira gerou um ponto de quebra no debate digital sobre a detenção de Bolsonaro: por um lado apoiadores moderados do ex-presidente silenciaram nas redes e, por outro, apoiadores mais fiéis tiveram dificuldades de unificar linhas narrativas e mensagens-chave”, diz o relatório do Democracia em Xeque.
A análise indicou ainda que as imagens da tornozeleira violada foram destaque nas postagens da esquerda, que aproveitou o conteúdo, tido como prova de que Bolsonaro não poderia mais ficar na prisão domiciliar, para ironizar o ex-presidente e seus filhos. Foram identificadas 85 hashtags usadas de forma coordenada nas postagens, sendo 31 vinculadas à direita, como #BolsonaroPresoPolitico (3.568), #FreeBolsonaro (2.555), #LibertemBolsonaro (1.321), e dez à esquerda, como #BolsonaroPreso (2887), #BolsonaroNaCadeia (1168), #BOLSONAROSnaCADEIA (758).
O debate público sobre a prisão de Bolsonaro passou a ser 36 vezes maior após o ex-presidente ser levado para a Superintendência da Polícia Federal. O tema já era debatido antes disso, diante do prazo de recurso da defesa de Bolsonaro no processo onde ele foi condenado por promover uma tentativa de de golpe de Estado, previsto para esta terça-feira. Nos dias anteriores à prisão (17 a 21/11), o tema havia se mantido em um patamar moderado, com poucas postagens identificadas.
O trabalho do Democracia em Xeque mostrou ainda um equilíbrio nas plataformas Facebook, Instagram, TikTok e X. A rede onde o debate destoa, com uma maior presença da direita, é o YouTube, plataforma em que a direita teve uma hegemonia na criação de conteúdo sobre a prisão de Bolsonaro.
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— O episódio demonstra que Bolsonaro segue sendo um dos atores com maior capacidade de gerar picos de atenção nas redes brasileiras. Mas revela, ao mesmo tempo, que essa capacidade não se traduz em apoio sólido ou ampliado. A prisão preventiva provocou uma comoção expressiva, porém marcada por críticas majoritárias, desgaste acumulado e pouca expansão da base de solidariedade. Fica latente que o anti-bolsonarismo é, também, uma força no debate digital sobre política, e vai além dos agrupamentos de esquerda organizados, alcançando outros públicos — explica o pesquisador Pedro Bruzzi
A popularidade de Bolsonaro nas redes se confirma pela análise da Bites, que identificou que as postagens dos apoiadores do ex-presidente tiveram 47,3 milhões de interações. Destacaram-se as publicações dos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Fernandes (PL-CE), além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Guerra de narrativa contínua”
Já um levantamento da Ativaweb DataLab, que analisou mais de 29 milhões de menções nas redes sociais relacionadas a Bolsonaro, entre sábado às 06h e segunda-feira às 09h, considerou o acontecimento um dos maiores eventos de mobilização digital da história recente do país. Entre as menções à prisão, 41,9% eram contrárias, 35,8% favoráveis e 22,3% neutras.
Segundo Alek Maracajá, CEO da Ativaweb, o evento mais uma vez mostrou a polarização que domina a disputa de espaço nas redes sociais.
— O ambiente digital brasileiro já não funciona mais como espaço de debate, mas como um campo de guerra narrativa contínua, onde a polarização deixou de ser um fenômeno ocasional e se transformou em estrutura permanente do comportamento político e social — explica.





