Osmar Stabile decide não assinar acordo encaminhado que previa transferência ao clube italiano por R$ 103 milhões; treinador corintiano fez duras críticas à possível saída do jovem
Por Gabriel Oliveira — São Paulo
O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, está decidido a não assinar o contrato de venda do volante André ao Milan, da Itália, pelo valor de 17 milhões de euros (cerca de R$ 103 milhões).
O recuo, que pode ter repercussões jurídicas, ocorre no dia seguinte à revelação do acordo, que era dado como certo pelo estafe do jogador e como avançado pelo clube.
Faltava a assinatura do mandatário corintiano, que não gostou dos valores ofertados pelo clube italiano ao ser informado dos detalhes financeiros da proposta, como publicado inicialmente pelo jornalista Jorge Nicola e confirmado pelo ge.
Stabile bateu o martelo sobre não assinar a transferência neste domingo, entendendo que André vale mais do que R$ 103 milhões. Ele não quis tratar do assunto antes do jogo contra o Novorizontino.
Haverá uma reunião nesta segunda-feira, em que o presidente pretende informar oficialmente a sua decisão de não aceitar a oferta nos termos propostos.
Depois da eliminação na semifinal do Campeonato Paulista, no último sábado, o técnico Dorival Júnior fez duras críticas à possível venda de André, opinando que o atleta de 19 anos vale “muito mais no mercado” e precisa dar retorno técnico antes do financeiro e reclamando que não quer “a todo momento ter que refazer equipes”.
A notícia da possível transferência provocou repercussão negativa entre torcedores, o que fez o executivo de futebol Marcelo Paz tomar a palavra após a entrevista coletiva do treinador corintiano para destacar que o negócio ainda não havia sido selado, pois dependia da decisão de Stabile, mas que o Corinthians precisa vender jogadores.
A proposta do Milan pelos 70% dos direitos econômicos de André pertencentes ao Corinthians é de 15 milhões de euros (R$ 91,14 milhões) fixos mais 2 milhões de euros (R$ 12,15 milhões) em bônus, condicionados à participação do volante em 20 partidas pelo Timão com ao menos 45 minutos em campo até a paralisação do calendário para a disputa da Copa do Mundo.
O Corinthians ainda teria direito a 20% do lucro de uma eventual futura venda a outro clube.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2026/0/C/RsyO53SvGHD91qVJkgIQ/agenciacorinthians-foto-241294.jpg)
André em treino do Corinthians no CT Joaquim Grava — Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
André abriria mão do dinheiro pelos outros 30% para o negócio ser fechado. Ele assinaria contrato de cinco anos com o clube italiano, mas só viajaria no meio do ano, em razão de as janelas de transferências europeias já estarem fechadas.
O estafe do jogador sustenta que o negócio está fechado, pois houve troca de minutas e assinaturas de quase todos os envolvidos – a exceção do presidente do Corinthians – no contrato de transferência.
No entendimento do estafe do atleta, a proposta é vinculante e, embora o Corinthians possa desistir formalmente, o Milan pode acionar o clube brasileiro na Fifa alegando quebra unilateral do contrato. Neste caso, o imbróglio teria repercussões jurídicas.
Entretanto, para o Corinthians, o negócio só pode ser considerado fechado com a assinatura do presidente. Eventuais trocas de minutas e discussões financeiras e jurídicas fazem parte da fase de negociação, na visão do clube, que não se preocupa com riscos de desdobramentos na Justiça.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2026/R/l/0G9UtqQ1C06zBJ5LIRxQ/agenciacorinthians-foto-242579.jpg)
André em Novorizontino x Corinthians pela semifinal do Campeonato Paulista — Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians





