Porta-bandeira do Afeganistão na Olimpíada de Tóquio conseguiu fugir do país, confirma presidente do comitê

Em crise após a tomada da capital Cabul pelo grupo fundamentalista armado Talibã, o esporte do Afeganistão vive cenário de apreensão. Após a notícia de que a equipe paralímpica não conseguiu viajar a Tóquio para disputar os Jogos, uma notícia positiva foi confirmada nesta sexta-feira: a velocista Kamia Yousufi conseguiu deixar o país. A atleta foi porta-bandeira do país nos Jogos de Tóquio e disputou os 100m rasos. Terminou em sétimo em sua bateria, com tempo de 13s29, recorde afegão, mas não conseguiu se classificar. Yousufi, de 25 anos, fugiu para o Irã.

 

A notícia foi confirmada pelo presidente do Comitê Olímpico do Afeganistão, Aref Peyman. Kamia, que competiu com roupa que cobria o corpo no Japão, era uma em meio às atletas mulheres que temiam pelo cerceamento de direitos no novo regime do país.

A atleta nasceu justamente no Irã, em 1996, após os país buscarem refúgio temendo o futuro do país, após tomada do poder pelo Talibã naquele mesmo ano. Sua família tem origem em Kandahar, a segunda maior cidade e berço do Talibã.

Mesmo nascida em solo iraniano, Yousufi começou no atletismo aos 13 anos e cresceu sem poder representar um país, pois sua situação era de refugiada afegã, mesmo sem nunca ter pisado lá — o que só mudou em 2013, quando o governo afegão incentivou o esporte com um campeonato de talentos para quem vivia fora do país.

A velocista já havia competido na Rio-2016, quando foi a única atleta mulher do país na delegação. Na oportunidade, também carregou a bandeira na cerimônia de abertura. Foi ovacionada pelo público no Maracanã.

Luto e pedido de socorro

Ex-camisa 10 da seleção de base local, Zaki Anwari foi um dos afegãos que morreram ao tentar se agarrar a um avião em fuga do país.

“Anwari era um das centenas de jovens que queria deixar o país. Em um incidente, caiu de um avião militar americano e morreu”, escreveu a federação afegã de futebol de base, em comunicado decretando luto pelo jogador e pedindo orações pela família.

Nesta sexta-feira, Shabnam Mobarez, capitã da seleção de futebol feminino do Afeganistão, fez um apelo à Fifa, pelo Twitter, para salvar as jogadoras que vivem no país. Mobarez tem 26 anos e atualmente está nos EUA.

“Precisamos agir para salvar minhas colegas de time. Elas são minhas irmãs”, escreveu.