Polêmica no Google após demissão de pesquisadora negra

© JOSH EDELSON - Sede do Google em Menlo Park (Califórnia), em 4 de novembro de 2016

Mais de 1.400 funcionários do Google exigiram na sexta-feira que a gigante da tecnologia explicasse por que demitiu uma funcionária negra, pesquisadora de questões éticas relacionadas à inteligência artificial (IA).

Timnit Gebru tuitou na quarta-feira que havia sido demitida depois que enviou um e-mail para um grupo interno da empresa lamentando o “silenciamento de vozes marginalizadas”.

Também disse em seu e-mail que a empresa havia exigido que ela se retratasse de um trabalho investigativo.

Gebru é uma defensora da diversidade e co-fundadora de um grupo dedicado a impulsionar o talento de pessoas negras no campo da inteligência artificial.

Até terça-feira, era pesquisadora e co-presidente de uma equipe de ética em IA do Google.

Gebru tuitou o que disse ser a mensagem de demissão do Google, que indica que “aspectos do e-mail que enviou à noite para funcionários que não fazem parte da gerência refletem um comportamento que é inconsistente com as expectativas de um gerente do Google”.

O artigo de pesquisa que Gebru foi convidada a retirar analisava o potencial de uma ferramenta de inteligência artificial usada pelo Google e outras empresas de tecnologia para imitar a escrita humana de discurso de ódio e linguagem distorcida, de acordo com um relatório da rádio pública americana NPR.

Pouco mais de 1.400 funcionários do Google estavam entre os quase 3.300 nomes em uma carta online pedindo à gigante da tecnologia para explicar a demissão de Gebru e por que ordenou que retirasse sua investigação.

A carta exige que o Google assuma um compromisso “inequívoco” com a integridade da pesquisa e da liberdade acadêmica.

“Em vez de ser aceita pelo Google como uma colaboradora excepcionalmente talentosa e prolífica, Gebru enfrentou atitude defensiva, racismo, censura na pesquisa e uma demissão retaliatória”, diz a carta.