Para mercadores de vacinas, Roberto Dias mandava, Pazuello obedecia

Famoso pela frase “um manda, outro obedece”, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello tinha fama de ser alguém sem voz de comando até mesmo no trato com subordinados. É o que indica uma troca de mensagens encontrada no celular do cabo PM de Alfenas, Luis Eduardo Dominguetti.

No dia 20 de fevereiro, um contato identificado como Guilherme Filho Odilon explica a Dominguetti o caminho das pedras para vender vacinas ao governo: “a pessoa que tem a caneta é o Roberto Dias, caso ele tenha interesse, o Ministro acata”. Roberto Dias era o diretor de Logística do Ministério da Saúde e, portanto, subordinado a Pazuello, e teria pedido a Dominguetti propina de US$ 1 por vacina. Odilon é o homem que colocou Dominguetti no ramos de venda insumos médicos.

Luiz Dominguetti na CPI da Covid — Foto: Foto: Pedro França/Agência Senado

Luiz Dominguetti na CPI da Covid — Foto: Foto: Pedro França/Agência Senado

Além de Roberto Dias, outro personagem apontando como peça-chave na estrutura é o coronel Blanco. Blanco é o tenente-coronel Marcelo Blanco da Costa, assessor do Departamento de Logística, e que também estaria no jantar em que foi pedido propina, segundo Dominguetti. “O Blanco abriu a porta, agora é com vocês”, incentiva Odilon. No depoimento que prestou na CPI da Covid, o cabo Dominguetti confirmou o poder do coronel Blanco sobre as maçanetas do Ministério da Saúde. “Eu fui apresentado ao Diretor de Logística Roberto Dias pelo Coronel Blanco”, garantiu o PM.

Bem. Esse blog não tem elementos para afirmar se a impressão dos mercadores de vacinas sobre Pazuello não ter voz de comando está correta. Mas se for isso mesmo, pode-se criar um novo posto hierárquico militar: o “oficial da passiva”.