O caso do homem que conviveu com soluços ininterruptos por 68 anos

Por mais que prender a respiração por alguns segundos ou tomar um susto possa resolver crises de soluço, há casos em que esse espasmo involuntário dura muito mais tempo do que se espera. Foi o que aconteceu com o presidente Jair Bolsonaro, que na última terça-feira (13) relatou estar com soluços há mais de dez dias. No dia seguinte, ele deu entrada no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, após sentir dores abdominais. Transferido para São Paulo, foi diagnosticado com obstrução intestinal, quadro que tem como um dos sintomas os soluços persistentes.

Para um norte-americano do estado de Iowa, o incômodo persistiu por muito mais tempo — mas muito mesmo, a ponto de fazê-lo entrar para o Guinness Book. Charles Osborne soluçou sem parar por cerca de 68 anos, de 1922 a 1990.

A crise duradoura teve início quando ele tinha 28 anos e levou um tombo ao pendurar um porco de 160 quilos para abate. Depois de um tempo, ele descobriu que sua queda havia danificado um pequeno vaso sanguíneo no cérebro, responsável por inibir a resposta ao soluço.

Nos primeiros anos, a frequência dos espasmos era de 40 vezes por minuto, aproximadamente, o que com o passar do tempo foi diminuindo até chegar em 20 espasmos a cada 60 segundos — ou seja, um soluço a cada 3 segundos.

Osborne foi aprendendo técnicas de respiração para atenuar o barulho e conseguiu manter sua sanidade e uma vida relativamente normal. Casou-se duas vezes, teve oito filhos e conquistou uma carreira bem-sucedida.

Em determinado momento, porém, ele já não conseguia engolir pedaços de comida e passou a ingerir somente alimentos pastosos ou líquidos. Em 1990, após 68 anos e mais de 430 milhões de soluços, os espasmos do diafragma pararam inesperadamente. Osborne morreu aos 97 anos, em 1991, finalmente livre dos soluços.