Nos EUA, mães vacinadas contra covid-19 voltam a amamentar para tentar transferir anticorpos a bebês

Com esperança de transferir anticorpos contra a covid-19 aos seus filhos, algumas mães norte-americanas que já receberam a vacina estão voltando a amamentar seus filhos e até compartilhando leite materno com mães não vacinadas, para que elas também possam tentar imunizar seus bebês.

Segundo reportagem do The New York Times, uma das mães, Courtney Lynn Koltes, decidiu voltar a bombear leite nove dias após receber a primeira dose da vacina, para tentar proteger a filha do vírus. Ela, que estava havia dois meses sem amamentar, planeja agora bombear todos os dias, de hora em hora. “Estou começando a ver um progresso muito lento, então vale a pena se isso significar que posso protegê-la”, disse a mãe, que mora em Orange County, Califórnia.

Por outro lado, há mães com medo de amamentar seus filhos após serem imunizadas porque alguns pediatras têm aconselhado que o leite materno deve ser descartado depois da vacina.

Mas, afinal, o que diz a ciência?

Estudos citados pelo jornal norte-americano mostram que os anticorpos gerados pela mãe após a vacinação podem, de fato, ser transmitidos pelo leite materno. Mais pesquisas precisam ser realizadas, porém não há motivos para que as mães adiem a vacinação ou descartem o leite materno, segundo seis pesquisadores ouvidos pelo The New York Times.

Rebecca Powell, imunologista do leite humano na Icahn School of Medicine no Mount Sinai, analisou o leite materno de seis mulheres que receberam a vacina Pfizer-BioNTech e quatro que receberam a vacina Moderna, 14 dias após as mães terem recebido a segunda dose, e encontrou números significativos de anticorpos.

No entanto, as pesquisas ainda não são conclusivas e mães vacinadas que estão amamentando não devem agir como se seus bebês não pudessem ser infectados. “Não há nenhuma evidência direta de que os anticorpos contra covi19 no leite materno estejam protegendo o bebê – apenas evidências sugerindo que pode ser o caso”, disse o Dr. Kirsi Jarvinen-Seppo, chefe de alergia pediátrica e imunologia do Centro Médico da Universidade de Rochester, ao The New York Times.

Ainda segundo o Dr. Seppo, leva cerca de duas semanas após a mãe tomar a primeira dose de vacina para que os anticorpos comecem a aparecer no leite.

Pesquisadores agora tentam descobrir o quanto de “leite vacinado” seria necessário para de fato proteger o bebê do vírus. Os bebês que consomem leite materno todos os dias têm maior probabilidade de estarem protegidos do que aqueles que tomam apenas ocasionalmente. Essa defesa de curto prazo, conhecida como “proteção passiva”, pode durar apenas dias ou horas a partir da última vez que o bebê foi alimentado com leite materno, segundo Rebecca Powell. “Não é o mesmo que vacinar o bebê”, ela adverte.

“Eu sinto que tenho esse superpoder recém-descoberto”, disse Olivia de Soria, que além de alimentar seu próprio filho de 4 meses e colocar um pouco de seu leite no achocolatado do filho de 3 anos, também está compartilhando o leite materno com outras cinco famílias.