Trabalhadores essenciais na pandemia, sem chance de exercer suas funções remotamente, policiais civis e militares foram mais vítimas do coronavírus em 2020 do que da violência. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado em julho, indicam que, no Rio de Janeiro, cinco policiais civis e 39 policiais militares da ativa foram assassinados em crimes violentos letais e intencionais (homicídios, latrocínios ou lesão corporal seguida de morte), em serviço ou fora de serviço, durante o ano passado. Já os que morreram devido à Covid-19 somam 15 policiais civis e 50 PMs, em um total de 65 servidores. Ao todo, 18.142 profissionais foram afastados por causa da doença, a maioria (16.460) PMs.
Segundo a presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sindpol-RJ), Marcia Bezerra, desde o início da pandemia até junho deste ano, 28 policiais civis morreram de Covid-19. Para ela, os números são resultado do atraso no início da vacinação prioritária da categoria, que só começou no último mês de maio, e da distribuição insuficiente de equipamentos de proteção individual (EPIs) aos servidores.
— O Estado colocou à disposição álcool em gel, máscaras e face shield (proteção facial) em quantidade menor do que a necessária. Com isso, não pudemos trocar as máscaras com a frequência recomendada pelas autoridades sanitárias. Muitos tiveram que comprar o próprio o EPI — diz.