No G-20, Bolsonaro diz a Erdogan que tem ‘apoio popular muito grande’ e que a Petrobras ‘é problema’

ROMA — Em conversa informal com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, no início da cúpula do G-20, na manhã deste sábado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao ser perguntado sobre a Petrobras, afirmou que a estatal é “um problema”. E também se gabou ao colega turco de ter “um apoio popular muito grande” e que a economia está crescendo “forte”.

A popularidade de Bolsonaro atingiu seu nível mais baixo em setembro, com 53% de reprovação, segundo o Datafolha. E a economia brasileira dá sinais de fragilidade, com bancos já prevendo recessão em 2022.

Em seu discurso no encontro, Bolsonaro também destacou a abrangência da vacinação contra Covid no Brasil, apesar de ser o único chefe de Estado em Roma que não tomou vacina.

Presidente chega ao evento de máscara

Bolsonaro chegou ao evento de máscara e tirou apenas em alguns momentos neste sábado, como nas fotos em grupo. Os demais líderes fizeram o mesmo. O presidente brasileiro havia sido criticado pela imprensa italiana por provocar aglomerações e não utilizar máscara durante seu passeio por Roma na sexta-feira, quando visitou loja de embutidos e foi seguido por apoiadores.

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Numa sala de café na antessala do espaço de reuniões, Bolsonaro se aproximou de Erdogan ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes. O brasileiro pediu ajuda a um tradutor para falar com o turco. Erdogan então perguntou sobre a situação do Brasil.

— Tudo bem. A economia voltando bem forte. A mídia como sempre atacando, estamos resistindo bem. Não é fácil ser chefe de Estado em qualquer lugar do mundo.

Pouco depois, o presidente Turquia mencionou que o Brasil tem “grandes recursos petrolíferos” e citou nominalmente a Petrobras.

— Petrobras é um problema. Mas estamos quebrando monopólios, com uma reação muito grande. Há pouco tempo era uma empresa de partido político. Mudamos isso, afirmou Bolsonaro.

‘Prestigiei as Forças Armadas’

Erdogan quis saber quando era a eleição no Brasil. Ao ouvir que faltava pouco menos de um ano, completou dizendo que o presidente brasileiro ainda tinha muita coisa para fazer.

Bolsonaro respondeu:

— Eu também tenho um apoio popular muito grande. Temos uma boa equipe de ministros. Não aceitei indicação de ninguém. Fui eu que botei todo mundo. Prestigiei as Forças Armadas. Um terço dos ministros [é de] militares profissionais. Não é fácil. Fazer as coisas certas é mais difícil

Após participar da abertura da cúpula, Bolsonaro saiu novamente para passear pelas ruas de Roma, como fez na sexta-feira, em direção à embaixada brasileira. No caminho, parou para tirar fotos com alguns brasileiros, enquanto outro grupo começou a gritar palavras contra o presidente: “genocida”, “fascista”, “homofóbico” e “incompetente”.  Em resposta, os apoiadores responderam com gritos de “mito” e “melhor presidente do Brasil”.

Em uma rápida entrevista na porta da embaixada brasileira em Roma, o presidente afirmou que tem um plano B para o Auxílio Brasil — programa social que vai substituir o Bolsa Família —, caso a PEC dos Precatórios não seja aprovada. Ele não deu detalhes, porém, afirmando apenas que é paraquedista e sempre tem um “outro paraquedas de reserva”.

Poucos encontros

Enquanto a maioria dos líderes presentes na reunião deste fim de semana na Itália está tendo várias reuniões bilaterais, Bolsonaro tem poucos encontros presenciais agendados, de acordo com sua assessoria de imprensa. A falta de conversas com os demais chefes de estado aponta para um isolamento do presidente no grupo das maiores economias do mundo.

Na noite de sexta-feira, Bolsonaro se encontrou com o presidente italiano Sergio Mattarella, uma formalidade já que a Itália hospeda o encontro.

A segunda reunião foi com Mathias Cormann, presidente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O Brasil tenta ingressar no grupo dos países mais ricos do mundo e, apesar da insistência de Bolsonaro no assunto, Cormann foi cauteloso e afirmou apenas que o Brasil é um dos seis candidatos.

Outras reuniões poderiam ser marcadas, disse a assessoria de imprensa do presidente, enfatizando que apenas essas duas estão agendadas por enquanto.

O presidente brasileiro também se encontrou com o líder de extrema direita Matteo Salvini.

Os ministros de Relações Exteriores da França e do Brasil, porém, planejam se reunir, após dois anos de relações frias, segundo três pessoas a par do assunto ouvidas pela Bloomberg. Jean-Yves Le Drian e Carlos França têm conversas marcadas para domingo.