MPF vai apurar se havia acordo entre mineradoras e consultorias para emitir laudos fraudulentos

Após a tragédia que deixou centenas de mortos em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais quer investigar os contratos entre mineradoras e empresas que certificam a estabilidade de barragens de rejeitos. A Procuradoria quer saber se há uma relação consensual entre as partes para emissão de laudos fraudulentos, com o objetivo de dificultar a fiscalização pelos órgãos competentes.

Em entrevista à Rádio CBN, o procurador da República José Adércio Sampaio ressaltou que diversas empresas desistiram, recentemente, de emitir os certificados de estabilidade, após o rompimento da barragem da Vale, em 25 de janeiro. Ele é o coordenador da força-tarefa que investiga a tragédia.

O MPF quer apurar se havia pressão por parte das mineradoras para garantir os laudos, ou se, por exemplo, os acordos previam troca de favores, mediante a entrega de documentos fraudados sobre as condições das barragens. Essas ações, segundo o MPF, dificultam o processo de fiscalização pelos órgãos responsáveis, uma vez que as informações fraudadas não geram alerta sobre a real situação dos reservatórios.

Sampaio disse à CBN que, após o rompimento da barragem da Vale, ficou evidente que existe alguma irregularidade nos contratos entre as mineradoras e as consultorias externas. Ele lembrou o fato de que, recentemente, diversas empresas tem se negado a emitir os laudos de estabilidade, principalmente de reservatórios de rejeitos da Vale.

“Nós estamos tendo no momento atual, uma quantidade muito grande de empresas que não estão dando mais o certificado de estabilidade. Por que mudaram os parâmetros? Não, os parâmetros continuaram basicamente os mesmos. O que nós estamos tendo é um temor dessas empresas de darem essa certificação”, disse.

FonteG1 / Globo / MG