Mourão minimiza lista de países de Bolsonaro: “Quem compra madeira ilegal são empresas”

O vice-presidente Hamilton Mourão minimizou nesta quinta-feira a promessa do presidente Jair Bolsonaro de divulgar uma lista de países que, segundo ele, compram madeira ilegal do Brasil. Mourão disse que se trata de uma lista de empresas, embora Bolsonaro tenha sempre falado em “países” ao se referir à lista. E disse não crer na possibilidade de a divulgação, que o presidente deve fazer hoje durante sua “live” semanal nas redes sociais, criar uma crise diplomática.

Na última terça-feira, durante a cúpula do Brics, Bolsonaro anunciou que divulgaria os países que compram madeira ilegal proveniente da Amazônia. A divulgação ocorre em meio ao aumento das pressões contra a alta do desmatamento no Brasil.

“Revelaremos nos próximos dias o nome dos países que importam essa madeira ilegal nossa através da imensidão que é a região amazônica, porque daí, sim, estaremos mostrando que estes países, alguns deles que muito nos criticam, em parte têm responsabilidade nessa questão”, disse.

“Creio que depois dessa manifestação, que interessa a todos, porque não dizer no mundo, essa prática diminuirá e muito nessa região.”

Em nenhum momento, ele citou empresas e falou em cooperação.

Mourão, que recentemente fez uma viagem com embaixadores à Amazônia, disse que avisou os diplomatas sobre a lista, elaborada pela Polícia Federal a partir de um método de identificação por isótopos, ou o “DNA da madeira” para identificar seu local de origem.

“Isso já tinha sido informado de forma geral na nossa viagem com os embaixadores. Foi a apresentação que o superintendente-geral da PF em Manaus fez”, afirmou.

Segundo Mourão, o embaixador da União Europeia, Ignacio Ybáñez, “reagiu” na ocasião.

Ao retornar da viagem, Ybáñez e outros embaixadores elogiaram a iniciativa do governo brasileiro de levá-los à região, mas cobrou que o país apresente resultados na queda do desmatamento.

A questão ambiental do Brasil é um dos pontos que vêm atrasando a concretização do acordo Mercosul-União Europeia, que depende de aprovação dos parlamentos europeus para entrar em vigor.