O ministro, relator da ADPF 635, determinou que o governo do estado disponibilize o material para realização de perícia.
Por g1 Rio
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 15 dias para que o governo do Rio envie todas as imagens capturadas durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio. A ação aconteceu no fim de outubro e deixou mais de 120 mortos.
A determinação, assinada nesta quarta-feira (4), é que o material seja encaminhado para perícia na Polícia Federal.
A decisão foi publicada no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das favelas”, da qual Moraes é relator, desde de a saída de Barroso.
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Imagens de COPs levam à prisão cinco PMs da megaoperacao no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/TV Globo
Imagens flagraram crimes
O Fantástico mostrou, em novembro, como agentes do Batalhão de Choque furtaram e esconderam armas e até peças de um carro durante a megaoperação.
Cinco agentes foram presos pela Corregedoria da PM por esses crimes. Eles são o subtenente Marcelo Luiz do Amaral e os sargentos Diogo da Silva Souza, Eduardo de Oliveira Coutinho, Charles William Gomes dos Santos e Marcus Vinícius Ferreira Silva Vieira.
O 2° sargento Vilson dos Santos Martins também foi preso preventivamente por um fruto cometido durante a ação. Ele teria roubado um celular que estava carregando, sobre o sofá de uma residência na Penha.
O g1 revelou, em janeiro, imagens que mostram o agente pegando o aparelho, logo depois de tranquilizar a dona da casa.
“A gente não vai mexer, não”, disse orientando a mulher a deixar o recinto.
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Militares orientam moradora a deixar sala, onde celular estava carregando — Foto: Reprodução
Só 23% do efetivo usou câmeras
O governo do Rio já tinha informado ao STF que 569 câmeras corporais, sendo 62 da Polícia Civil e 507 da Polícia Militar, foram utilizadas na megaoperação realizada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio.
O volume é relativamente pequeno se comparado aos 2,5 mil policiais mobilizados para atuar contra o Comando Vermelho naquele dia. Ou seja, apenas 23% do efetivo estava equipado com câmera corporal na megaoperação.
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Megaoperação com cerca de 2.500 policiais civis e militares é deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça- feira, 28 de outubro de 2025. — Foto: Jose Lucena/TheNewsS2/Estadão Conteúdo
Relembre a megaoperação
A Operação Contenção foi resultado de uma investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, que levou à expedição de 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão — 70 no Rio de Janeiro e 30 no Pará, contra integrantes do Comando Vermelho.
A ação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e terminou com 121 mortos, entre eles quatro policiais. A ação das forças de segurança também resultou na prisão de 113 pessoas. De acordo com o primeiro balanço oficial, 93 fuzis foram apreendidos.
A operação provocou ainda uma série de retaliações e bloqueios armados em importantes vias da cidade, como a Linha Amarela e a Grajaú–Jacarepaguá. O transporte público foi afetado em diversas regiões, e o município chegou a entrar em estágio operacional 2.





