Ministro da Saúde britânico renuncia após violar regras anti-Covid com amante

LONDRES —  Um dia depois de ter pedido desculpas em público por ter violado a quarentena vigente no país ao abraçar e beijar uma de suas assistentes, o ministro da saúde britânico, Matt Hancock, renunciou ao cargo. O encontro entre ambos ocorreu há cerca de um mês e foi confirmado por fotos e vídeos divulgados na última sexta-feira pela imprensa local.

Hancock apresentou sua carta de renúncia na noite de sexta-feira, em meio a fortes pressões políticas. Os registros do encontro, publicados pelo jornal The Sun, levaram os partidos Trabalhista e Liberal Democrata, de oposição, a exigirem o afastamento do ex-ministro, de 42 anos.  “Eu aceito que violei regras de distanciamento social nesta circunstância. Eu desapontei as pessoas e sinto muito. Permaneço focado em trabalhar para tirar o país desta pandemia e seria grato se houvesse privacidade para minha família nesta questão pessoal”, declarou Hancock, em comunicado oficial, após a divulgação das fotos, que viralizaram nas redes sociais.

A mulher com quem o ex-ministro foi flagrado é Gina Coladangelo, uma de suas principais assessoras. Nas imagens, Hancock abraça e beija Gina, uma ex-colega de faculdade cuja presença no ministério gerava críticas pela amizade entre ambos, num momento em que estavam proibidas reuniões sociais no país. O ex-ministro, casado com Martha Hoyer Williams há 15 anos, admitiu ter decepcionado “os que tanto sacrificaram durante esta pandemia”.

Após o escândalo, o primeiro-ministro do país, Boris Johnson, aceitou o pedido de desculpas de Hancock, elogiou sua contribuição ao combate da pandemia e afirmou que o assunto estava encerrado. Mas a polêmica continuou crescendo. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou que o episódio poderia fazer com que as pessoas se tornassem mais resistentes a seguir as medidas impostas contra o avanço da Covid-19 no país.

Diante das pressões, o primeiro ministro admitiu que Hancock devia “abandonar o cargo orgulhoso de tudo o que você conquistou, não somente durante o combate contra a pandemia, mas inclusive antes que a Covid-19 nos atacasse”. No início da pandemia, porém, Johnson enviou mensagens de WhatsApp a seu ex-assessor Dominic Cummings, reveladas meses mais tarde, nas quais o primeiro-ministro se referia a Hancock como “um puto inútil total”.

Após a divulgação das imagens, informou a imprensa britânica, colegas de Hancock se comunicaram com o ex-ministro e o convenceram de renunciar ao cargo. O ex-ministro perdeu apoio dentro do partido de governo e sua permanência tornou-se insustentável. Segundo informações oficiais,  o comando da pasta da Saúde será assumido pelo ex-ministro de Finanças Sajid Javid, que renunciou no ano passado, depois de ter se recusado a demitir seus assessores políticos, como exigira Johnson. O novo ministro também integrou o governo de Theresa May.

Para Johnson, a saída de Hancock representa um grande desafio, em momentos em que o Reino Unido, que já acumula 128 mil óbitos na pandemia, enfrenta um crescimento de casos de Covid-19 e a presença preocupante no país da variante Delta. Em outros países europeus, a reabertura avança mais rápido.

Neste sábado, o país registrou 18.270 novos casos de coronavírus, maior número desde 5 de fevereiro. O país também confirmou 23 óbitos por Covid-19. O casos diários têm crescido há um mês, mas um rápido programa de vacinação parece ter quebrado a conexão entre infecções e mortes, uma vez que as fatalidades por dia seguem ao redor de

20.

Na última sexta-feira, 15.810 novos casos foram registrados. Os dados também mostraram que 83,7% dos adultos receberam uma primeira dose de vacina contra a doença e 61,2% duas.