Militares ocupam fazenda de Jarvis Pavão e a transformam em posto de luta contra guerrilha, diz promotor

A Polícia Nacional do Paraguai, acompanhada do Ministério Público, ocupou a fazenda do traficante sul-mato-grossense Jarvis Gimenes Pavão. A ação ocorreu no último sábado (24) e, conforme afirmou ao G1 o promotor paraguaio Hugo Volpe, a intenção é transformar o local em um posto de luta contra o tráfico de drogas e a guerrilha.

“O local foi confiscado e esta é uma sentença final. A fazenda era voltada ao tráfico há muitos anos. Em 2009, por exemplo, o filho de Jarvis foi preso em flagrante e 250 kg de cocaína foram apreendidos. Agora, teremos naquele local uma força-tarefa conjunta, militar e policial, que consiste em forças armadas e policiais”, afirmou Volpe.

Com a vistoria do Comando de Defesa Interna (CODI), a Fazenda Quatro Filhos agora permanece nas mãos do estado. Veículos, telefones celulares, munições, eletrodomésticos, carregadores de armas longas como AK-47 e até animais de raça estão no inventário do comitê fiscal, militar e de polícia, ainda conforme o promotor.

No mesmo dia, o presidente do Paraguai Mario Abdo Benítez, também realizou uma visita do quartel do CODI e ordenou a posse imediata da fazenda pertencente a Pavão.

Execução

No dia 12 deste mês, a advogada de Jarvis Pavão, Laura Marcela Casuso, de 54 anos, foi executada no Paraguai. Ela era sócia do advogado de Marcelo Piloto, de acordo com o promotor. Laura participava de uma reunião com um grupo de mulheres, em um bairro afastado da região central de Pedro Juan Caballero. Na saída, ela foi abordada por um homem encapuzado que atira várias vezes e foge em uma caminhonete preta.

Condenação judicial

Jarvis é apontado pela polícia como um dos maiores fornecedores de cocaína do Brasil e está cumprindo pena de 17 anos e 8 meses de prisão no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande, por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em maio deste ano, ele sofreu uma nova condenação judicial.

Na ocasião, o juiz da 5ª Vara Federal de Caixas do Sul, no Rio Grande do Sul, Rafael Farinatti Aymone, condenou Pavão a 10 anos, 9 meses e 15 dias de reclusão, por tráfico internacional de drogas. Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), mesmo preso no Paraguai desde 2009, o traficante sul-mato-grossense chefiou um esquema que fornecia cocaína proveniente da Bolívia, Peru e Colômbia para a região da Serra Gaúcha.

Extradição

O esquema foi descoberto na Operação Coroa da Polícia Federal. Além de Pavão, também foram condenados na mesma sentença outros cinco acusados de envolvimento. Pavão foi extraditado do Paraguai para o Brasil em 28 de dezembro de 2017. No país vizinho, cumpria pena de oito anos de prisão, também por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Pavão nasceu em Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Ele também é investigado pelo assassinato de outro traficante brasileiro, Jorge Rafaat, em junho de 2016, em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha a Ponta Porã. Rafaat sofreu uma emboscada e foi morto com tiros de uma metralhadora de guerra. A morte teria sido parte da disputa pelo controle tanto da venda como da produção de drogas na região.

FonteG1 MS