Presidente também minimizou contrato de Lewandowski com o Banco Master
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, disse a ele que sofria uma “perseguição”, ao ser recebido no Palácio do Planalto em encontro fora da agenda, em dezembro de 2024.
Questionado, em entrevista ao portal UOL, sobre o encontro que teve com o banqueiro, Lula disse já ter recebido outros empresários. O presidente também confirmou que Vorcaro fora levado ao seu encontro pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que prestou consultoria ao banco.
— Primeiro, eu já recebi o Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual, e não tinha uma agenda comigo. E quando o Guido veio com o André Vorcaro (sic) a Brasília e pediu para eu atender, eu chamei o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central), o Rui Costa (ministro da Casa Civil), da Bahia, que conhecia ele. E ele então me contou da perseguição que estava sofrendo, que tinha gente interessado em derrubar ele, não sei das quantas — disse Lula.
Na entrevista desta quinta-feira, Lula disse que haveria uma investigação técnica do Banco Central.
— O que eu disse pra ele: não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica, feita pelo Banco Central. Foi essa a conversa. ‘Você fique tranquilo, que a política não entrará na investigação do seu banco, o que entrará será a competência técnica do Banco Central pra saber se está errado, se você quebrou, se não quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem E é isso que está sendo feito — acrescentou Lula.
Na mesma entrevista ao portal UOL, Lula defendeu o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, apesar de criticar a atual Selic, a taxa básica de juros.
O Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025 e é alvo de investigações do próprio BC, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal por supostas fraudes financeiras. Entre as supostas irregularidades investigadas, está a emissão de carteiras de crédito falsas ou de valor inflado. Vorcaro nega irregularidades.
O presidente relatou que, após o encontro, ele reuniu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Galípolo e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, porque estavam diante da “primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção, da lavagem de dinheiro neste país”.
— É uma chance extraordinária. Não me importa que envolva política, que envolva partido, que envolva banco. Quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade de dar um rombo, talvez o maior rombo econômico deste país — acrescentou Lula.
Lewandowski
O presidente também minimizou o contrato do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski com o Banco Master:
— O Lewandowski é um dos maiores juristas que este país já produziu e todo bom jurista é contratado por qualquer empresa que esteja com qualquer dificuldade. O Lewandowski tinha deixado a Suprema Corte, ele fez um contrato para trabalhar no banco e quando eu o convidei, saiu do banco. Não tem problema nenhum — afirmou Lula.
O ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública pediu demissão no início de janeiro informa do razões pessoais. Ele foi membro do conselho consultivo do Master em 2023, logo após deixar o Supremo Tribunal Federal e antes de receber o convite de Lula para assumir o cargo no governo, no início de 2024. O contrato do Master com a Lewandowski Advocacia, porém, foi transferido para o filho do ministro, Enrique Lewandowski, após ele ter assumido a pasta.
O governo vem tentando se afastar da repercussão da crise, baseando-se no discurso de que apoia as investigações e buscará colar os desdobramentos do caso na oposição.
O presidente questionou o porquê de fundos de pensão de estados como o Rio de Janeiro (governado pela oposição) e Amapá alocaram recursos no Master.
— Nós vamos a fundo nesse negócio. Queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro e o Estado do Amapá colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores neste banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Banco Master e o Banco de Brasília? — disse Lula.
O presidente disse que não cabe ao governo apoiar oficialmente a instalação de uma CPI sobre o Master, mas reafirmou que orientou para que as investigações sejam feitas “às últimas consequências” para que fraudes do tipo não se repitam.
A irritação do presidente com o tema ficou clara em discurso em janeiro, e o assunto passou a ser foco de preocupação digital do governo. Nas redes sociais, o tema tem impactado mais diretamente o presidente nesta semana, de acordo com levantamento da consultoria Bites feito a pedido do GLOBO.





