Declarações de governos e organismos internacionais pedem contenção após bombardeios e resposta militar iraniana no Oriente Médio
Por O Globo com agências internacionais — Teerã
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Líderes e autoridades de diversos países reagiram neste sábado aos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no Irã e à resposta militar de Teerã, que lançou mísseis e drones contra território israelense e bases americanas em outros países da região. A sequência de ações elevou a tensão no Oriente Médio e provocou alertas internacionais sobre o risco de uma escalada regional.
Segundo informações da AFP, explosões foram registradas em Teerã após bombardeios contra diferentes áreas da capital iraniana. Fumaça foi vista sobre o bairro de Pasteur, onde fica a residência do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Em resposta, forças iranianas dispararam mísseis contra Israel, enquanto sirenes de alerta soaram em cidades da região e autoridades orientaram civis a buscar abrigo.
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Reações internacionais
O presidente da França, Emmanuel Macron, advertiu que a escalada em torno do Irã é “perigosa para todos” e afirmou que a situação “deve cessar”. Em mensagem publicada no X, ele pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU e instou o governo iraniano a “devolver a palavra” ao povo.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, por sua vez, classificou os acontecimentos como “perigosos”. Em publicação nas redes sociais, afirmou ter conversado com o ministro das Relações Exteriores de Israel e ressaltou que “a proteção de civis e o respeito ao direito internacional humanitário são prioridades”. O Ministério das Relações Exteriores da Suíça também afirmou estar “profundamente alarmado” com os ataques e pediu que todas as partes exerçam “máxima contenção”, protegendo civis e infraestrutura civil.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, que vinha atuando como mediador entre Estados Unidos e Irã antes da escalada militar, criticou a decisão de ampliar o confronto. Em publicação nas redes sociais, afirmou que negociações “ativas e sérias” foram prejudicadas e pediu que Washington não se envolva ainda mais no conflito.
A Arábia Saudita condenou ataques iranianos contra países vizinhos e classificou as ações como uma “flagrante violação de soberania” de Estados do Golfo e da Jordânia. Em meio à escalada, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, conversou por telefone com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed. Segundo a agência oficial emiradense WAM, os dois discutiram os ataques retaliatórios do Irã e condenaram o que chamaram de “escalada perigosa que ameaça a segurança da região e mina sua estabilidade”. Bin Salman expressou “total solidariedade” da Arábia Saudita aos Emirados e ofereceu apoio a quaisquer medidas adotadas pelo país, gesto que foi agradecido pelo líder emiradense. A ligação marcou o primeiro contato público entre os dois desde uma disputa diplomática no fim de dezembro.
Na Ásia, o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, declarou que a ofensiva de Washington e Tel Aviv coloca o Oriente Médio “à beira da catástrofe”. Ele defendeu que Estados Unidos e Irã busquem uma saída diplomática para evitar uma escalada maior do conflito.
O chefe de direitos humanos das Nações Unidas, Volker Türk, também lamentou os ataques e pediu que as partes retomem as negociações. Em comunicado, afirmou que ações militares apenas resultarão em “morte, destruição e sofrimento humano” e que, em qualquer conflito armado, os civis acabam pagando o preço mais alto.
Já o governo da Austrália adotou tom diferente. O primeiro-ministro Anthony Albanese afirmou que o país apoia as ações dos Estados Unidos para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear e declarou solidariedade ao povo iraniano “em sua luta contra a opressão”.
A Ucrânia responsabilizou o governo iraniano pelo agravamento da situação. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que Teerã teve oportunidades de evitar o cenário atual e citou a repressão a protestos e violações de direitos humanos no país.
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Alerta e tensão regional
O grupo extremista islâmico Hamas também se manifestou e condenou a ofensiva. Em comunicado, o Hamas, em guerra contra Israel desde os ataques de 7 de outubro de 2023, criticou o que chamou de “agressão estadunidense-sionista” contra a República Islâmica do Irã.
Em meio ao aumento da instabilidade, as embaixadas da Índia em Israel e no Irã orientaram cidadãos indianos a evitarem deslocamentos desnecessários e acompanharem a evolução da crise.
Israel informou que a ofensiva militar contra o Irã recebeu o nome de “Leão Rugindo”, em referência a uma operação anterior chamada “Leão Ascendente”, realizada durante um conflito recente entre os países.
Troca de acusações
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os bombardeios conduzidos por Israel e Estados Unidos atingiram infraestrutura defensiva e áreas não militares. Em comunicado, o governo classificou a ação como uma violação do direito internacional e declarou que o país se reserva o direito de responder.
Segundo o texto, as Forças Armadas iranianas estão “totalmente preparadas para defender o país” e farão com que os “agressores se arrependam de seus atos”.
De acordo com os Guardiões da Revolução, uma “primeira onda” de mísseis e drones foi lançada contra Israel após os bombardeios. O episódio intensificou temores de que o confronto se amplie para outros países do Oriente Médio.





